Obstáculos

pedra-no-caminho

Recebi um dia desses um e-mail de uma cliente e ela ilustrou-o com essa imagem aí de cima. Não vem ao caso o conteúdo, óbvio, mas a imagem é ótima e resolvi aproveitá-la.

Um ditado Chinês diz algo assim: “Nós tropeçamos nas pedras pequenas porque as grandes enxergamos e desviamos”.

Parece interessante como todo bom ditado Chinês, mas… Tudo bem que ninguém tropeça numa pedra grande, mas pode ser até pior, batemos com a cara nela. E aí, o que fazer? Remover ou desviar?

Desviar é o que a maioria faz quando se depara com um obstáculo pela frente, não falo apenas de obstáculos físicos, falo também dos psicológicos. Sim, quando pensamos em algo que bloqueia a seqüência dos pensamentos, tendemos a nos desviar da idéia original para tentar chegar ao objetivo final.

Só que aí a “coisa” fica, ou pode ficar, completamente diferente do que queríamos, pois mudar o curso pode até nos levar ao mesmo lugar almejado, mas de forma diferente. O que estou querendo dizer é que podemos alcançar o objetivo, mas com um custo diferente. O que isso significa? Bem, de alguma forma o resultado pode até ser o mesmo, mas aquele obstáculo que havia no meio do caminho também continuará ali, só que fazendo o papel de um fantasma.

Em minha opinião, obstáculos, grandes ou pequenos, têm que ser eliminados. Uma vez feito isso, eles jamais vão aparecer. Imaginem a tal estrada da foto. Se essa pedra ficar ali, um desvio deverá ser feito e isso não quer dizer que esse desvio será bom para os carros que por ali vão passar. Pode ser longo, tortuoso, causar danos ao carro e por aí vai…

Na vida também é assim. Desviamos por aparentemente ser mais rápido, mais fácil ou até mesmo por medo e, as conseqüências nem sempre são boas. Sem falar que o problema (obstáculo) fica ali, pronto para interromper novamente a qualquer momento seja lá o que for.

Não é fácil eliminar obstáculos de qualquer espécie, exige algo que está em falta no mercado hoje em dia: Coragem.

Coragem para meter a mão na massa e ver os danos que essa pedra no caminho causou à estrada. Pode envolver um gasto de energia que não estava programado, mas não remover a pedra é permitir que ela sempre esteja ali, atrapalhando os próximos movimentos.

Eu “cuido” de pessoas e esse meu trabalho de consultoria pessoal não é nada fácil. Na maioria das vezes, as pessoas aparecem contando os desvios que fazem para viver bem. Mas quando eu noto que esses desvios fazem mais mal do que bem, ficam sem saber o que fazer. Esse é o meu trabalho, mostrar a realidade estando de fora, sem emoção envolvida.

Mostrar a realidade não é jogar a pessoa pra baixo para valorizar meu trabalho quando eu der o caminho das pedras, nada disso. Mostrar a realidade, no meu caso, é apenas colocar na frente da pessoa um belo e lindo espelho, o mesmo que ela vem usando para ver se a calça combina com a blusa…

Mas é absolutamente necessário fazer isso. É indispensável, até. No caso dos obstáculos, quando pergunto por que é que o cliente desviou em vez de enfrentar, normalmente escuto desculpinhas e justificativas que não servem para nada, muito menos para o bem estar mental da pessoa.

É fato – aqui vai uma dica de graça – que quando temos um problema, um obstáculo, se fizermos o tratamento adequado – o que exige comprometimento do cliente – antes de começar a melhorar, a coisa piora muito. É esse o tal esforço extra que mencionei nesse texto, é essa a coragem que temos que ter para mexer na ferida.

Só removendo as pedras é que a estrada ficará completamente limpa e livre. Desviar pode parece sensato, fácil, mais simples, mas na volta – e na vida vamos e voltamos sempre – a pedra continuará ali. E a cada vez que passarmos por ela vamos “ouvir” nossa voz interior dizer algo que vai derrubar nossos Egos, algo como: Viu? Eu falei que devia ter eliminado essa pedra…

Em suma, nossa mente sempre nos lembra que somos covardes. E esses obstáculos que surgem na vida são de toda ordem: Família, amigos, amores, trabalho… e até nós mesmos que por vezes colocamos pedras em nossa própria estrada…

MM

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Sim x Não

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Ah esse conflito… Vou começar logo abrindo o jogo, adoro falar não, simplesmente adoro. Tudo bem, já falei sim muitas vezes, até na frente de um Juiz quando me casei pela primeira vez. Mas falar não tem um sabor especial. Calma, muita calma nessa paciência porque vou explicar tudo direitinho para não ser chamado de louco pelas psicólogas que me acompanham aqui no Blog.

Houve um tempo em que eu falava sim pra todo mundo, era só pedir que falava sim. Às vezes nem precisavam pedir, ia logo falando sim e pronto. O que ganhava sendo assim? Olha, para ser bem franco, ganhava muito pouco. Falar sim exige cuidado. Bem, falar não também, mas uma coisa é engraçada… Quando a gente fala não, somos mais respeitados. Pode ser mais uma doideira da minha cabeça eu sei, mas é o que penso a respeito.

As pessoas odeiam ouvir não, mas te respeitam. Não sei por que, mas parece que um não bem fundamentado tem mais credibilidade do que um sim. Mais ou menos como se falar sim fosse comum. Por outro lado, quando falamos não dá a impressão que a “coisa” foi pensada. A pessoa que ouve o seu não fica de cara feia num primeiro momento, mas depois que ela pensa um pouco e acaba dando mais valor a você, mesmo que não admita isso nunca. Talvez porque muitas vezes temos que dizer aquele não senão ficamos muito “facinhos”. Se levarmos para o mundo do sexo, as mulheres vão me entender porque quando elas dizem não para um “ou dá ou desce” logo de cara, são mais respeitadas. Mas não vou falar de sexo.

Ouvi tantos nãos na infância e adolescência que até perdi a conta. Respeitei sempre meus pais, mas como ouvi muito mais não do que sim – na maioria das vezes era não pelo não, sem explicações – os tratava como pais e não como amigos. Tudo bem, estou falando aqui de respeito, apenas (Daqui a pouco inverto tudo, é só eu virar adulto, um instante só). O mais engraçado é que eu não falava não para eles, mesmo que não cumprisse com as obrigações, apenas concordava e fazia as coisas escondido, mas isso não vem ao caso.

O que importa ressaltar é o dia em que falei o primeiro não para eles. Sinceramente, foi libertador. Eles passaram a respeitar meu ponto de vista em relação a tudo e pasmem, começaram a falar mais sim do que não e quando me diziam não, explicavam por que. Esquisito? Sim, se é esquisito para vocês, imaginem pra mim que vivi isso na pele.

Tomei gosto pela coisa e só falava não, adorava ver a cara das pessoas (tudo bem, podem me internar). Depois de adulto, tive uma recaída e comecei a falar sim para todo mundo. Acho que tem muito a ver com aquela coisa de ser aceito na sociedade ou nos grupos em que vivemos. Mas durou pouco, viu, assim que percebi que as pessoas abusam dos que falam sim pra tudo, dei meia volta e me apaixonei novamente pelo não. Mas não como filosofia de vida, apenas aprendi que falar um NÃO na hora certa tem um efeito bom para meu próprio Ego. Parece que dá uma força tremenda.

Hoje em dia, depois de velho – sim ter 48 anos é ser velho – eu noto que isso me fez bem. Eu trabalho com pessoas e, além das que atendo, me relaciono com muita gente e percebo que muitas delas têm uma imensa dificuldade em dizer não. Passaram a vida toda sem usar essa arma poderosa e agora… bem, agora acham que é tarde demais. Eu digo com todas as letras: Nunca é tarde demais para qualquer coisa. Muito menos para reparar erros, muito menos para bloquear os abusos.

O que acho mais estranho é que essas pessoas falam sim para todo mundo e não para elas mesmas. Pensem nisso. Eu mesmo já fiz isso tantas vezes que me irrito só de lembrar. Ao dizer um sim para alguém, claro, se você não quer dizer sim, é o mesmo que dizer não a si mesmo.

Ficou confuso? Dêem um desconto, estou escrevendo este texto de madrugada ouvindo Bach e no meio de uma insônia brava. Estou prestando mais atenção na música do que no texto.

Tentemos de novo, agora é um papo só entre nós dois: Digamos que alguém te peça algo que você não quer fazer. Se você disser sim para a pessoa estará dizendo não a você. Estará negando sua vontade. Pergunto eu na minha parca inteligência, por que, hein? Faz isso com você achando o que? Que vão te respeitar mais, que vão te aceitar? Ora, se pessoas abusam de você me explica então por que é que tem essa necessidade de “ser aceito” por essa gente? Helloooo… eles abusam!!!

Vale explicar que não estou generalizando, ok? Você é suficientemente inteligente para saber e entender o que estou querendo dizer. Isso, estou falando desse caso especifico aí que você se lembrou. Teria sido melhor ter dito não, não é mesmo?

Só mais uma coisa, eu amei aquele filme “Yes man” (Sim Senhor) com o Jim Carrey. Que contradição a minha. Bem, mais ou menos, assistam que vão entender… Nem tanto ao céu, mas muito menos ao inferno.

MM

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Cicatrizes

Coração

Hoje vou falar de um assunto que nunca falei: Cicatrizes. Parece pesado, parece meio deprê, mas não é por aí… ou talvez seja… ah, sei lá.

O fato é que ao longo da vida vamos colecionando cicatrizes, algumas internas que só a gente sabe, outras externas que não temos como escondê-las. A verdade é que esse processo, sim, é um processo, vem lá de longe, desde os tempos de criança quando caímos e batemos a cabeça no canto da mesa…

Brincadeiras à parte, algumas cicatrizes vem de lá mesmo. Mas não quero aqui falar de crianças e traumas de infância, sei que eles existem, Freud cansou de falar sobre isso e acho que ele já disse tudo. Algumas bobagens monstruosas, mas também falou coisas interessantes.

Passemos para a adolescência. Em minha opinião, algumas das piores marcas que trazemos surgem nessa fase, onde nos entendemos por gente. Para certas pessoas a adolescência é um verdadeiro inferno, rebeldia sem causa, transgressões sem fundamento, enfim, é um período meio doido. Acho que vou pular essa parte, afinal, sei que meus leitores já passaram dessa etapa conturbada da vida. Vamos para a fase adulta.

Na opinião de vocês, qual é a maior fonte produtora de cicatrizes, o amor, família, amigos…?

Eu misturaria tudo. Tenho marcas aqui dentro provenientes de todas essas “fontes” aí de cima. Mas nada que me faça lamentar não, acho que de tudo o que vi e recebi aprendi um pouco, aprendi a me conhecer e a tentar evitar que essas marcas fossem repetidas. Notem que eu disse tentar, o que não quer dizer… conseguir.

Mas eu tento sim com todas as minhas forças e tenho um grande aliado nesse processo, um grande problema que, apesar de problema, me ajuda muito: A cicatrização. Não só literalmente por causa da diabete, mas eu sempre tive esse problema, uma ferida demora para cicatrizar. Manter a ferida aberta ajuda a não permitir que uma nova ferida do mesmo tipo apareça.

Sendo bem sincero, algumas nunca cicatrizam e eu pretendo manter as coisas desse jeito. Se alguém quiser levar isso para o lado do rancor, fique à vontade. Além de rancoroso master plus sou também vingativo. Dou a desculpa que é por causa do meu signo, escorpião, mas isso não cola muito não. Sem problema, eu assumo numa boa esse lado negro da força. Opa, desculpem, vou reformular a frase: Assumo esse lado Afro-descendente da força. (Não quero parecer racista nem politicamente incorreto)

Feio admitir isso em público, mas é a verdade, quando menos se espera, eu me vingo. Antes de me julgar, pense aí, você não se vinga das coisas que te fazem? De nenhuma forma? Como pode alguém deixar passar em branco as coisas ruins que sofrem? Eu não entendo, mas respeito, cada um age de um jeito, mas uma coisa eu falo, o mundo já tá cheio de impunidade.

Existe também o outro lado da moeda, coisas que fazemos, cicatrizes que provocamos nos outros e que fazem um mal danado a eles. Então… a vida é assim mesmo, no universo das relações humanas há sempre alguém machucando alguém. É assim que a roda gira. Não há nesse mundo alguém que passe batido pela vida sem machucar e se machucar. Faz parte do esquema, faz parte do jeito… humano de ser.

Tentar apagar as marcas é uma tarefa árdua e nem sempre somos bem sucedidos nisso, há que se tentar, pelo menos tentar viver com elas. Ontem, enquanto escrevia este texto eu pensava nas marcas que apaguei, nas que não apaguei e aí me veio uma pergunta na cabeça:

– O que é mais fácil, esquecer alguém que te fez mal ou esquecer o mal que alguém te fez?

Como não podia deixar de ser, meu Id e meu Superego apareceram para me “ajudar” a responder a essa indagação. Depois de muita “briga”, cheguei à conclusão que é mais fácil esquecer o mal, mas eu prefiro mesmo é esquecer a pessoa…

MM

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Auto-destruição

Botao

Muito tem se falado sobre auto-sabotagem. Normalmente falam associando a sabotagem às atitudes. Li coisas interessantes e verdadeiras sobre isso, mas hoje eu queria falar algo talvez um pouco diferente, dentro desse mesmo assunto.

As pessoas sabotam as atitudes, os projetos, como se tivessem um pavor incontrolável do sucesso. Sim, isso é mais comum do que podem imaginar. Indo um pouco além, mas dentro do mesmo tema, pois entendo que uma sabotagem só tem um intuito, o de destruir, quero hoje levantar outra questão, tão ou mais pertinente que a auto-sabotagem, talvez ainda o que dá origem a isso: A auto-destruição.

Dia desses falei em algum texto perdido aqui no Blog sobre a capacidade de destruir coisas boas que alguns de nós temos. Destruir coisas boas, repito, como se tivéssemos um botão, um detonador. Pergunto, por que será que não usamos essa força para destruir o que é ruim e o que nos faz mal? Bem, a resposta para isso talvez seja… Porque destruir o que faz mal nos manteria num estado de felicidade. Percebam que a conseqüência de apertar esse botão para destruir as coisas boas é destruir a nós mesmos.

Ué, mas não viemos ao mundo para buscar a felicidade? Não todos nós, apenas alguns. A maioria não quer ser feliz. Ok, parece insanidade afirmar uma coisa dessas, mas quero que você aí faça mais um exercício. Consegue parar um instante e pensar nas vezes que as coisas não deram certo na sua vida? Agora consegue ser honesto o suficiente para analisar – como se estivesse fora de seu corpo – e perceber a sua responsabilidade sobre “o que fez a coisa dar errado”?

Não estou falando em se culpar, pelo amor de Deus, quem me conhece sabe o quanto eu odeio a palavra culpa, estou falando em analisar com imparcialidade e notar onde é que você fez algo, moveu uma pecinha que seja na direção de destruir o que estava tão bom… Consegue fazer isso? Vai doer um pouco, mas sem reconhecer, sem se identificar com o que estou falando, vai ser difícil acompanhar meu raciocínio.

Tudo bem, não quer fazer isso agora, não faça, mas te digo, se fizer, vai perceber que muitas vezes as coisas não funcionam porque nós mesmos é que forçamos a barra para destruir tudo.

Tem gente que me pede ajuda para mudar e destruir o que está ruim em suas vidas. Lá vou eu fazer meu trabalho e consigo bons resultados, mas mesmo assim, algumas pessoas insistem em puxar de volta a nuvem preta para cima de suas cabeças, das suas vidas como um todo.

Sabe o que é engraçado? Vejo essa busca incessante pela destruição tão nitidamente que fico até sem jeito às vezes. Sabem por que? Porque eu mesmo já fiz isso comigo tantas vezes que ficaria dias aqui escrevendo sobre o tema. Mas uma delas, a mais importante, vale comentar.

Meu sonho, aquele maior sonho que todos temos na vida, era me tornar escritor. Desde sempre eu tinha apenas um grande sonho: Escrever. Demorei tanto para realizá-lo que nem te conto. Mas um dia eu resolvi fazer isso pra valer. Fiz, obtive êxito porque não é fácil lançar um livro, quer dizer, você até pode fazer isso por conta própria, mas eu queria que alguma editora comprasse meu sonho, o que é bem complicado neste país. Deu certo, consegui e lancei meu tão sonhado primeiro livro. A noite de autógrafos foi um sucesso, um monte de gente, divulgação na imprensa, tudo funcionou melhor do que qualquer expectativa que eu pudesse ter criado. Tudo como manda o figurino, tudo com os devidos pingos nos “is” dos manuais de sucesso.

Terminada a noite do lançamento, cheguei em casa com meus amigos mais próximos e quando abrimos um champagne para a última celebração… olhei no meu relógio e vi que era meia-noite em ponto, sabem o que eu disse?

– A noite de “Cinderela” acabou, voltemos à realidade da Gata Borralheira…

Tem coisa mais broxante do que isso? Fala sério, né? Tudo bem que eu estava no meio de uma depressão daquelas, mas eu não havia usado o “livro” como válvula de escape? Não havia escrito para realizar meu grande sonho? Não havia atingido meu objetivo e, mais do que isso, não estava naquele momento iniciando a colheita dos frutos do sucesso?

Por que diabos destruir aquele sonho daquela maneira tão dura? Porque temos essa tendência quando não estamos bem de cabeça, de fazer tudo parecer com a fábula da “abóbora”?

Mesmo depois de “curado”, vez ou outra minha mente ainda tenta me sabotar, mas agora eu consigo diferenciar o que é boicote do que é realidade. Antes eu sucumbia, agora eu destruo os pensamentos turbulentos, pelo menos analiso o quanto tem de boicote e sabotagem e o quanto tem de realidade. A realidade é dura sim, mas real, a auto-destruição é irreal, é “fabricada” por nossas mentes.

Nem todo mundo consegue, pior, nem todo mundo enxerga a diferença. E ser cego não é só não ver, é não perceber com os outros cinco sentidos. Sim, falei cinco de propósito porque sempre afirmei que além dos cinco que são reconhecidos, temos um sexto, a intuição.

E este sexto sentido aparece em todos os momentos, a gente é que insiste em não escutá-lo e acaba, por muitas vezes, sabotando e destruindo a nossa própria essência. E mesmo que alguns insistam em fazer parecer como tal, ninguém nesse mundo tem como essência a auto-destruição. Apenas fazem de conta e… muitas vezes conseguem.

MM

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Acorrentados

Acorrentado

Todas as profissões, nos últimos anos, passaram por grandes modificações, talvez mais do que isso, evoluções. Para citar um exemplo, diria que na medicina as coisas hoje em dia são bem diferentes do que eram num passado bem recente.

Lembro que um jogador de futebol que operasse o joelho, levava cerca de 8 meses, às vezes até um ano para se recuperar, fosse qualquer tipo de intervenção. Hoje em dia, dependendo do que fazem, voltam a jogar em poucas semanas. Isso é fruto de muito estudo, muita tecnologia e muita inovação. Podemos pensar que acontece de fato em várias atividades profissionais.

Ainda na medicina, posso afirmar que 99,9% das doenças do corpo já devem ter sido catalogadas, mas os tratamentos é que passam por modificações. Isto posto, vamos em frente.

Eu pergunto: E na psicologia, o que há de novo? Acredito eu no mais sincero modo-humildade que não sabemos ainda quais e quantas são as doenças psíquicas. Cada dia surge um distúrbio novo e me parece que o que evolui nessa área são as doenças e não as curas.

Ok, desci do altar da humildade e volto agora ao meu particular mundo da falta dela, perguntando novamente: O que há de novo na Psicologia? O que há de revolucionário, que teorias novas surgiram, que tratamentos eficazes apareceram nos últimos anos?

Tudo bem, eu leio muito sobre o tema desde que abandonei a faculdade, confesso que não agüentei continuar no curso justamente porque os professores me pareceram acorrentados às teorias do passado. Ora, no alto de minha humildade, inocência com pitadas de arrogância, entendi que um curso de Psicologia nada mais é do que ler, entender e aceitar as teorias propostas há longa data. Não vi nada de novo e, sinceramente, não acreditei que entre meus colegas e professores fosse surgir uma mente brilhante capaz de trazer algo novo no quesito: Tratamento da mente humana.

Vestindo novamente a roupa da humildade, entendo perfeitamente que, mesmo lendo muita coisa a respeito, é também verdade que não devo ter lido nem 10% de tudo o que se publica a respeito. Mesmo assim, tiro minha “sandália da humildade” e sigo em frente acreditando no que disse acima: Nada de novo surgiu a não ser aquele fantástico livro Inteligência Emocional do psicólogo Daniel Goleman. Fantástico porque ele trouxe uma percepção bacana sobre a inteligência, mas nada que não seja tão óbvio assim. Apesar disso, ele tem um grande mérito de ter trazido esse assunto à luz.

Por falar em óbvio, é isso o que mais evoluiu no mundo da psicologia: A constatação do óbvio.

Me desencantei com a faculdade justamente porque não vi nada, absolutamente nenhuma discussão em sala de aula, em palestras durante a “semana da psicologia” que me fizesse crer que algo de novo dali surgiria. Nada! Ao contrário, era uma mesmice que dava até sono. Só discussões sobre o que alguém já tinha “inventado”, descoberto ou publicado no passado.

Oras bolas, eu sou um cara criativo, estou sempre buscando algo novo e, mesmo quando dou com os burros n’água não desisto de procurar “o novo”, o caminho que ainda não foi trilhado. Já escrevi sobre isso uma vez, tenho medo do conhecido e não do desconhecido.

Vai ver que eu tenho alguma Síndrome de Bandeirante, sei lá se em outra encarnação fui o Fernão Dias ou quem sabe Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera (Nossa, será que fui uma “rodovia”?). O fato é que o novo me fascina e não sossego enquanto não vejo algo diferente. O que me desencantou foi constatar em apenas dois anos de estudo que eu sairia dali talvez engessado como todos os outros e isso não condiz com minha personalidade. Em vez de reclamar e choramingar pelos cantos, tirei meu time de campo, pois não era meu sonho permanecer preso à teorias do passado.

O mundo evoluiu muito e só evoluiu por causa dos seres humanos. Hoje vive-se mais tempo, os cinqüentões são os novos trintões e por aí vai. Não sei se vivemos melhor, mas é inegável que vivemos mais tempo. Nada mais natural do que constatar que quanto mais se vive, mais sujeitos a problemas estamos, quase que mais expostos às crises existenciais de todo tipo.

Isso me obriga a usar meu raciocínio lógico: Lá em cima no começo deste texto, eu disse que praticamente todas as doenças já foram catalogadas e assim mesmo, a busca é incessante pela cura desses males. Ora, se mesmo tendo-se descoberto todas as doenças eles continuam evoluindo, entendo que se ainda não foram descobertas todas as doenças psíquicas o campo de pesquisa é ainda muito maior, deviam não só correr atrás das doenças como das curas.

Olhando bem de pertinho e sem nenhum medo de parecer arrogante, vejo e senti na pele que terapeutas engessados não curam ninguém. É nisso que acredito: Não se pode e nem se deve achar que uma teoria lá do passado vá servir para um problema da mente atual. Tudo nesse mundo mudou, a dinâmica das pessoas é outra, não posso me conformar que os tratamentos psíquicos permaneçam engessados e ineficazes.

É hora de se criar algo novo, algo que dê resultados efetivos. Não vejo outra maneira de isso acontecer que não seja mandar um recado aos “teóricos” de hoje: Joguem o óbvio no lixo, usem apenas o brilhantismo que já foi descoberto e tratem de ser mais criativos no presente e no futuro.

MM

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Sem Pé nem Cabeça

Sem pé

Ontem a noite fiquei lendo um livro de Psicologia, uma espécie de bíblia que tenho lá em casa e que me ajuda muito no meu trabalho. Sem parecer morno como tudo nesse universo, pelo contrário, o livro é ótimo, direto e muito bom de ler.

Já o li inteiro e hoje em dia uso mais para consulta do que qualquer outra coisa. Mas como não poderia deixar de ser, ele não dá todas as respostas, apenas te mostra as opções mais próximas do que você tem necessidade de saber ou descobrir.

Mas como todas as coisas nesse mundinho “psicológico”, ele não é conclusivo ou taxativo. Mas chega perto disso restringindo as alternativas do “pode ser isso ou aquilo”, o que já ajuda muito, pois em psicologia tudo pode, nada é o que parece e nenhuma resposta é definitiva, seja a questão que for.

Esquisito, mas por acaso alguma coisa ou alguém é “definitivo”?

Não, nada nem ninguém. Nós, por exemplo, estamos em constante evolução ou involução, depende do momento. Sem falar que agimos de acordo com nossos interesses e por causa disso mudamos constantemente de opinião sobre uma porção de coisas, vai depender do que vamos ganhar com isso. Um dia o amarelo é lindo, em outro cafona… e por aí vai.

Ler um determinado capítulo ou estudo desse livro, me fez pensar em: Respostas. Adoro aquela frase – que nem sei de quem é – que diz assim: “Quando acho que sei todas as repostas, vem a vida e muda as perguntas”. Ontem me pus a analisar isso, em mais uma madrugada de insônia… Cá entre nós, viu, insônia é algo que me tira o sono…

Em minha analise, cheguei à dura conclusão que na maioria das vezes não queremos respostas. Olhando bem de perto essa frase aí de cima fiquei confuso. Não sei mais se é a vida que muda as perguntas ou nós que não nos satisfazemos e aceitamos as repostas.

É fato que os seres pensantes levantam dúvidas o tempo todo, aliás, é isso o que difere as pessoas acima da média das pessoas mornas: Levantar dúvidas! Tentar responder já envolve mais coisas.

Respostas para essas nossas questões existenciais até aparecem em nossas mentes, mas na maioria das vezes a intuição diz uma coisa e insistimos em obter outras. Assunto muito vasto esse.

Só para exemplificar, quando eu levanto uma questão, vou até o fim pra obter a resposta. Quando ela surge, aceito num primeiro momento e logo após, pergunto novamente… Mas e se…?

Aí volto à estaca zero. Sou anormal? Bem, pode até ser, mas não estou sozinho nessa. Pelo menos vejo por aí que muita gente faz a mesma coisa.

Não existe um só momento em nossas vidas que nossa mente nos deixa em paz sem fazer alguma pergunta. A vida é feita disso em todos os sentidos: Perguntas.

A parte boa é que para toda pergunta – a não ser: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a Galinha? E… Qual é o sentido da vida? – há uma resposta.

As partes ruins são três: Nem sempre fazemos a pergunta certa, quase sempre não nos contentamos com a resposta e ainda, nem sempre conseguimos agir de acordo com a resposta obtida, afinal, agir significa escolher e aí a coisa pega.

A conclusão inconclusiva que eu cheguei estudando na madrugada é simples, mais ou menos como este texto sem pé nem cabeça:

A vida tem começo, não se entende nada no meio, mas tem fim. Aí mora o “X” da questão. O começo da vida não nos interessa, o fim é o fim, não precisamos saber nada sobre ele. O problema é o que fazer com o meio…

Na boa, acho que preciso de remédios…

MM

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Pedra no Sapato

Pedra no sapato

Conversei com algumas pessoas sobre o texto anterior, o Coitadinhos, e alguns aspectos valem ser ressaltados, eu mesmo disse que iria continuar o assunto, mas mudei de idéia, apesar de que de uma forma meio torta, pode-se dizer que se trata do mesmo tema.

Uma amiga, após ler o tal texto, me indagou na sexta-feira sobre a diferença de se estar triste e se fazer de coitadinho. Bem interessante pensar nisso e por que não, falar disso hoje, exatamente hoje.

Essa amiga passa por momentos delicados em sua vida, o que tem provocado nela uma tristeza profunda, mas diferentemente dos seres Coitadinhos, ela é daquelas mulheres do tipo “pau pra toda obra”. Mas nem por isso a tristeza deixa de se instalar quando vê uma brecha. Acontece com todo mundo, não é mesmo? Vou falar um pouco sobre isso.

Nesses últimos tempos tenho notado que muita gente anda triste. Ao contrário daqueles que nada fazem para mudar suas vidas e eliminar o que as deixa desse jeito, são pessoas que correm atrás de soluções e mudanças. Mas nem sempre as coisas são fáceis.

Confesso que eu mesmo não ando muito bem, por diversos motivos que não são controlados por mim. Difícil admitir que não tenho o controle de certas coisas, pois tento sempre manter tudo nos trilhos que defini como “melhor jeito de ver o mundo e viver nele”.

Nem sempre podemos gerenciar a vida do jeito que queremos, afinal de contas, nos envolvemos com outras pessoas que têm certa influência em nossas vidas. E quando se trata de lidar com “pessoas” temos que saber que a decepção estará sempre a postos para dar o ar da graça.

Aconteceu comigo recentemente e creio que acontece com todo mundo, sempre que estamos de certa forma envolvidos com outras pessoas, temos que saber e estar preparados para que a tristeza tome conta vez ou outra.

Nesse final de semana tive outra grande tristeza, aconteceu uma coisa que me tirou algo que muito estimava. Além do valor financeiro da “coisa”, havia ali um valor sentimental, pois eu me apego às coisas que tenho e quando as tiram de mim de maneira bruta e covarde, fico inconformado a ponto de ter tido uma ríspida discussão com Deus ontem quando fui à missa.

Sim, sou de ir à missa todos os domingos e ontem estava bravo com Deus. Parece idiotice, mas não é. Deus me escuta sim e sei que Ele é e já foi responsável diversas vezes por coisas que me aconteceram, já me ouviu, me ajudou e me deu lições e sinais, por isso me sinto à vontade para conversar com Ele e tentar entender, ou melhor, exigir explicações dos por quês. Aquela coisa de… colocar os pingos nos is. Vamos aguardar, o fato é que Ele me deve explicações.

Mas isso é outro papo, voltemos ao que dizia. Às vezes não é fácil nos livrarmos do que nos incomoda. E aí não falo apenas de eliminar pessoas, falo de tudo. Sabe quando temos uma pedrinha no sapato? Pois é, se não a eliminarmos rápido, a tendência é que nossos pés se acostumem com ela e aí tudo fica mais complicado. Por que? Bem, é fato que os pés se adaptarão ao “novo” molde, mas é fato também que eles se tornarão pés deformados.

Talvez seja assim que esteja me sentindo agora, com os pés deformados. Acho que minha amiga também passa pelo mesmo problema. É hora de fazer algo.

Apenas para constar nos “autos”, semana passada escrevi no Twitter uma frase que faz todo o sentido, ainda mais hoje: Algumas coisas marcam profundamente a gente. Umas não queremos esquecer, outras, não conseguimos.

Eu devia estar inspirado quando criei essa citação… Ou no mínimo, prevendo algo. O mais interessante é que isso vale pra tanta coisa…

Mas não adianta chorar, não é? Resta trabalhar para repor as coisas que nos são tiradas, resta limpar os olhos e seguir em frente, afinal, reconstruir leva mais tempo do que destruir.

MM

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