Dependência ou Morte

dependencia

Outro dia, fazendo um projeto de treinamento que estou criando, algo que chamo de Estética Mental, parei por um instante e “resolvi” decretar mais uma das minhas teorias: Todos seres humanos buscam a dependência!

Pois é, sei que algumas pessoas jamais concordarão comigo, afinal, todos nós conhecemos tão bem as teorias, principalmente a de que dependência faz mal, mas a verdade é que no fundo no fundo todos estamos buscando depender de alguma forma de algo ou de alguém.

Claro, parece mais seguro, quem nessa vida não queria ter alguém que tomasse todas as decisões por nós? Pois é, mas a coisa vai mais além do que tomar decisões de onde é que vamos passar o final de semana. Muito mais além…

Me relacionei com uma pessoa por um tempo e analisando sua vida entendi perfeitamente por que ela era tão dependente emocionalmente da nossa relação. Aos 15 anos ela perdeu o pai, de quem era dependente. Usando a morte dele como uma boa desculpa, se meteu com drogas até os 19. Para se livrar, entrou para uma Igreja Evangélica e se converteu, tornando-se completamente fanática pela doutrina. Lá conheceu um cara e se casou, abandonou de leve a Igreja e ficou dependente do marido. Separou-se e depois de um tempo nos reencontramos e moramos juntos por quase 12 anos. Segundo ela, a dependência do “nosso amor” era tão grande que ela jurava não existir vida sem a nossa relação. Bobagem. Nos separamos e ela foi para a terapia, onde ficou completamente dependente do processo. Largou ao conhecer outro cara e agora está casada com ele. Não sei a quantas anda sua vida, mas posso imaginar.

Como esse exemplo, tenho vários e ficaria horas aqui descrevendo-os. Não só pelas minhas observações com amigos e conhecidos, mas também nos tratamentos que faço com clientes que de uma maneira ou de outra, dependem – e buscam isso sem se dar conta – de várias coisas ou pessoas.

Quando eu era jovem, me apaixonei por uma garota mais velha. Quando se é jovem – 17/18 anos – dois anos a mais é uma eternidade, inclusive porque as mulheres amadurecem mais cedo do que os homens. Bem, uma ressalva: Isso é o que dizem, não acredito nisso sem sob tortura chinesa. Mas vamos em frente.

Eu era completamente dependente dela, inclusive para me locomover, pois não tinha carro na época. Mas aprofundando um pouco o raciocínio, de fato eu era dependente daquela mulher. Ficamos juntos por pouco tempo, mas suficiente para eu achar que não existiria vida sem ela. Sim, era mesmo apaixonado pela garota e dependente dela.

Quando terminamos – ela me deu o fora porque descobriu meu casinho com outra menina – achei que jamais seria feliz no amor novamente. Até que numa conversa com minha mãe, ela me abriu os olhos dizendo que eu tinha uma identidade e que não poderia jamais em tempo algum colocar minha vida nas mãos de outra pessoa. Mesmo ainda triste, pensei no que minha mãe me ensinara e concluí que ela estava certa, eu deveria me tornar uma pessoa independente e no caso de me relacionar com outra pessoa, deveria ser uma relação que agregasse e não que dividisse.

Nada a ver com a tal entrega, mas sim com a tal expressão… “Quero alguém para dividir a vida”. Ora, pensemos juntos: A vida é uma só, nossa vida é uma só, nossa identidade é única… assim sendo, dividir isso com alguém é perder, é ter menos vida, não acham?

Mas é o que todo mundo faz, não somam ou multiplicam, dividem. Se entregam mais do que deveriam e aí está o maior problema: Perdem sua identidade e passam a viver a relação e de acordo com o outro. Se perderem essa dependência, é o mesmo que perder a própria vida.

Funciona com drogas, bebida, jogo e pessoas. Sabe aquela história de crise de abstinência? Pois é isso mesmo que acontece. Naquele caso que contei aí em cima, tive uma crise daquelas de abstinência, achava que não viveria mais sem a tal namoradinha. O que é esquisito porque eu mesmo a traí, ou seja, ela não era, em teoria, a coisa mais valiosa do mundo, pois se fosse, eu não colocaria a relação em risco, certo?

Mas no momento em que estamos vivendo uma relação de dependência, jamais enxergamos o todo, vemos apenas partes, vemos o quanto somos felizes ao lado da pessoa, o quanto elas nos faz bem, etc, etc, etc.

Até aí, tudo parece normal, afinal de contas, nos relacionamos para termos uma vida melhor, mas quando é que descobrimos que ultrapassamos a linha tênue que divide uma relação bacana de uma relação de dependência? Bem, como sempre digo, para dar essas respostas eu precisaria analisar caso a caso.

Uma coisa é certa, auto-analisar uma situação dessas sem ajuda é bem complicado, pois há o envolvimento emocional que compromete um julgamento imparcial. Quando estamos de fora vemos com mais clareza, não é verdade? Ou será que estou louco? Pense, já não detectou milhares de vezes que algumas relações de seus amigos eram de dependência e não de amor?

Creio que sim. Mas quando é para nós analisarmos onde estamos pisando a coisa fica bem diferente. Encontramos milhares de desculpinhas esfarrapadas, justificativas vazias para tentar nos enganar…

Seria bom se nossos Egos viessem ao mundo com uma lente de aumento, não? Enxergaríamos tudo com muito mais clareza…

MM

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Publicado em Ego. 9 Comments »

9 Respostas to “Dependência ou Morte”

  1. Angela Says:

    OI meu MM preferido!

    Como sempre …..ESPETACULAR!!
    Qdo aprendermos que relacionamento é para somar…tudo será melhor…
    SAUDADES MASTER!
    Besos

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  2. Lia Says:

    Nada mais verdadeiro mesmo. O ser humano quer sempre fazer parte de algo, de uma família, de um sonho(sei lá), de um objetivo, de um trabalho, fazer parte – não sei se o termo correto seria este- de um amor.
    O problema é que o amor se transforma com o tempo, que a paixão nunca é para sempre, que as criações são diferentes e até as afinidades ,às vezes e com o tempo passam a ser outras. E surge o desencontro, a dependência emocional, muitas vezes tb a financeira, entre outras… e tem a tal da ambivalência tb….O que será amor,raiva, mágoa, tristeza, esperança ou dependência? Amadurecimento? Às vezes não coincide, um amadurece primeiro e não dá tempo para o outro amadurecer. Ou um se torna amargo quando o outro é romântico e cheio de esperanças…
    Será amor? Apenas dependência? De fora talvez seja fácil dizer como vc fala, Marcelo mas de dentro é “dose prá elefante”, rs. Porque há escolhas que não tem volta, né? E depois, o próximo amor- caso haja- não repetirá os mesmos passos???As pessoas se não forem muiiito lúcidas acabam criando repetecos.
    Caramba, que difícil!
    E em relação ao que a Fernanda disse, embora concorde, de vez em qdo tb acontece o contrário e não dá prá apressar o passo só porque o outro envelheceu- ou amadureceu- antes do tempo( ou no tempo certo…)
    Ou seja, se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Continuo na mesma mas pensando, pensando o que já é uma ótima, né não?
    Parabéns pelo texto as always!

    Lia

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  3. Ailda Moreira dos Santos Says:

    MM, gostei do texto e respeito suas convicções.
    Abraços

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  4. Says:

    MARAVILHOSO Marcelo!!! Senti muita saudade dessa minha leitura matinal.. até que enfim, de volta ao vício.. ou dependência? 🙂

    Beijos

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  5. Ana Cláudia Says:

    Após ler essa obra prima, sinto em lhe informar: Você causa dependencia em suas leitoras.
    Parabéns.
    Beijos

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  6. Carolina Marques Says:

    Boa tarde,
    Achei seu Blog via seu site, via Alternativa Saúde e hoje resolvi escrever-te porque seu texto é de uma sensibilidade fora co comum. Lugar comum realmente é tudo o que você não é, Marcelo.
    Simples, direto, objetivo e brilhante.
    Parabéns, há tempos não lia algo tão veerdadeiro e que lavasse minha alma.
    é um fato, somos dependentes e perdemos nossas identidades ao longo da vida. Demorei mais de 5 anos para me dar conta disso e me separar do meu marido. Era dependente e se tivesse lido algo como este texto, teria sido de grande vlia.
    Fazer qualquer tratamento com você deve ser uma benção dos Deuses. Quem sabe um dia, pois famoso como você é, não deve ser nada barato, risos.
    Concede um desconto para uma nova leitora e fã? risos.
    Brincadeira à parte, estou me sentindo nas nuvens por ter tomado a atitude certa em minha vida, recuperado minha identidade há tanto perdida.
    Continue assim, você é incrívelmente genial.
    Recomendarei a todas minhas amigas, fique certo disso.
    Abraços,
    Carol

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  7. Janaina Says:

    Exuberante seu texto de hoje, já li e reli umsa 20 vezes e não me canso. A forma como você escreve é uma luz para nossa triste realidade.
    Exuberante é a palavra. Você se supera a cada texto e olha, te acompanho há anos.
    Milhões de bejos nessa mente brilhante.

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  8. Dani Says:

    Nossa…. rss
    Amor… no momento não consigo dizer outra coisa…rs ..”Nossa!!”
    Parabéns..rs bom texto..
    (e por falar em dependencia rss)…
    bj, sua Dani

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  9. Fernanda Says:

    Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

    Sem comentários para o momento….

    AH! Só um: eu acredito que as mulheres amadurecem antes que os homens… kkkkkkkk…. (só pra contrariar e não perder o costume ;))

    bjo

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