O Proibido é mais gostoso

Maçã

Ainda dentro do tema Certo ou Errado, por que será que o proibido atrai tanto a ponto de muita gente afirmar que é até mais gostoso do que o que é permitido? Pois é, deve haver – pelo menos eu acredito nisso – uma resposta técnica para tal questão.

Mas a verdade é que é verdade. Ops, lá vou eu para mais um texto cheio de confusões. Calma, MM, concentre-se.

Esqueçamo-nos da técnica, vamos para a prática. Pense aí, quantas vezes você sentiu prazer no proibido? A menos que você seja um chato ou uma chata – dediquei aos Prudentes uma crônica inteirinha no meu primeiro livro, o Descomporte-se – aposto que você já fez muita coisa proibida e sentiu um prazer imenso nisso.

Será que posso afirmar que o prazer foi maior do que as coisas equivalentes que são permitidas? Ah, pensando bem, ou melhor, lembrando bem, eu posso afirmar sim, muita coisa proibida que fiz, foram bem mais gostosas do que as permitidas. Mas a questão é bem anterior à minha existência.

Começou lá atrás com a primeira transgressão de que se tem notícia, o tal lance de comer a maçã, aliás fruta que eu adoro. De lá para cá a humanidade cometeu uma transgressão atrás da outra e deu no que deu, viciamos em correr riscos, em perigo, enfim, somos viciados no proibido.

Eu não faço a menor idéia do que acontece, mas o fato é que quando me deparo com algo proibido eu simplesmente enlouqueço. Parece que sou completamente dominado pelo meu Id (Para quem não sabe o que é Id, recomendo ler o texto da barra lateral à esquerda dessa página) e, por essas e outras é que eu sempre achei que suas manifestações não são apenas inconscientes como Freud propôs. Acho que para a maioria das pessoas essa manifestação aparece conscientemente também. O lance do “proibido” pode me ajudar a provar isso.

Tudo bem, da mesma forma é fato que admitir que amamos transgredir as regras é politicamente incorreto, diria até que uma coisa feia, mas cá entre nós, deixemos a hipocrisia de lado, fazer o que teoricamente não podemos ou devemos é uma delícia.

Acho que a coisa caminha pelo lado da curiosidade, por ser “diferente” do que fomos ensinados a fazer, parece que dá um gostinho a mais. Ninguém de nossas famílias nos ensina que devemos transar no carro, na escada ou elevador do prédio, mas quem é que nunca fez ou pelo menos sonhou com isso? E traição? Tem coisa mais errada do que trair? Pois é, errado é mesmo, mas quem nunca desejou fazer isso? Tudo bem, não posso generalizar, mas convenhamos, a maioria já traiu, vai trair ou pelo menos já teve vontade disso.

Difícil entender o que provoca nosso desejo de olhar o buraco de uma parede se estiver escrito em cima: Não olhe! Proibido olhar aqui!

Talvez não seja certo creditar isso apenas à nossa curiosidade, talvez Deus tenha errado ao nos criar com esse Bug no programa. A prova disso é a história da maçã. Logo de cara ficou provado que temos um erro de programação, provável que seja o lance do livre arbítrio, pois sendo livres para escolher, podemos fazer qualquer coisa. Triste é agüentar as conseqüências, mas… para tudo existe um preço. Quanto maior a excitação, mais alto deverá ser o custo da brincadeira.

Já procurei respostas, mas até hoje não encontrei nada que me satisfizesse. Até porque eu sou duro de ser convencido de alguma coisa. Mas analisando os meus atos proibidos eu vejo que a coisa caminha pela estrada do sim e do não. Quando crianças ou adolescentes, ouvimos de nossos pais muito mais a palavra não. Confesso que isso me atiçava e indo pelo lado do “desafio”, transgredi até não poder mais.

O preço? Bem, passei boa parte da minha vida tentando consertar as conseqüências. A outra parte passei de “castigo”. Castigo imposto pelos meus pais ou imposto pela própria vida que escolhi levar. Cada um tem o que merece, é um fato. Aqui se planta aqui se colhe, é outra verdade universal. Mas que ninguém nos ouça, adoramos a sensação de fazer o errado acreditando que não seremos descobertos, não é?

Uma frase daquelas célebres, não sei quem é o autor: Não ser descoberto numa mentira, é o mesmo que dizer a verdade.

Não sei por que, mas eu e meu Id adoramos essa frase…

Levando um pouco adiante, trocando algumas palavras, poderia afirmar que: Não ser pego fazendo o errado, é o mesmo que fazer o certo.

Como eu adoro me justificar defendendo com unhas e dentes as minhas loucuras…

MM

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Certo ou Errado

certo

O que é certo e o que é errado afinal? Não vou aqui falar das questões morais ou politicamente corretas, etc. e tal, como cumprir leis e ser ético, por exemplo, isso todos nós sabemos. Quero falar sobre aquela sensação que temos na hora de tomarmos uma decisão, por menor que ela seja.

Antes demais nada, se formos pensar mesmo, de verdade e um pouco mais profundamente que o normal, poderíamos dizer que toda decisão tem lá sua importância. Assim, sendo, no exato momento em que temos que decidir entre “A” ou “B”, bate aquela última dúvida: Estou fazendo o certo ou o errado?

Como não poderia deixar de ser, vou me “usar” como exemplo e dizer o que é que acontece quando tenho que decidir algo. Além dessa pergunta aí de cima sobre certo ou errado, eu me bombardeio com mais perguntas e uma das principais é: Certo pra quem? Errado pra quem?

Preciso dizer que eu sou mega master egoísta? Ok, eu digo, como sou mega master egoísta, é óbvio que penso em certo ou errado para mim, em primeiro lugar. Na verdade, vou confessar que só penso em certo ou errado para os outros, lá pelo décimo lugar.

Felizmente, ou infelizmente, nem todo mundo é assim. Exatamente por não serem assim é que muitas das decisões são seguidas de arrependimento porque – podem perceber – quanto mais pensamos nos outros em primeiro lugar, menos reconhecimento temos. Menos recebemos de volta, enfim, é uma porcaria de atitude pensar antes no próximo. Pronto, é isso. (Ia colocar #prontofalei, mas seria “Twittar de mais)

Voltando ao que interessa, deixando os outros de lado, percebam que sendo assim, as minhas perguntas “extras”, certo ou errado para quem, não fazem o menor sentido. Mas é o que acontece, minha mente faz isso comigo, me enche de incertezas na hora de uma decisão, e pior, minha própria mente me trai fazendo com que eu esqueça meu lado egoísta e pare para pensar nos outros. Na boa, isso não é coisa que se faça…

Pensando nisso desde sempre, chego à conclusão que tudo isso tem a ver com a conseqüência das conseqüências das decisões que tomo… mais ou menos assim: Tomo uma decisão e é óbvio que ela afeta outras pessoas. A conseqüência disso é que serei afetado, mais cedo ou mais tarde, pela atitude que a pessoa tomará em relação à minha primeira atitude. Nossa, isso está mega confuso… Melhor você aí do outro lado reler esse parágrafo.

Esse pequeno medo paralisante que dá na hora da tomada de uma decisão nada mais é do que se perguntar se estou ou não preparado para o que virá do outro lado. É fato que uma atitude tomada não tem mais volta, mesmo que a gente se arrependa do que fez, o que foi feito está marcado para sempre. Repito, por mais que os bons Samaritanos insistam em dizer que se deve perdoar os erros dos outros, isso é balela, ninguém esquece algo grave. Nunca!

Isto posto, o que é que devemos fazer? Bem, pensar antes é uma saída, mas sinceramente, poucas pessoas agem assim, normalmente fazem e só depois do estrago é que se dão conta do que estragaram. E olha só uma coisa, nossos Egos têm uma habilidade em destruir coisas boas que vou te falar, viu?

E isso vale para todos os lados, para quem fez uma bobagem, para quem supostamente perdoa, para quem reage e para quem fica imobilizado. Mais ou menos como se quase sempre a gente tomasse uma atitude que vai nos desagradar em algum momento futuro.

Os psicólogos logo no primeiro dia de aula nos falam o seguinte: Certo ou errado não existe!

Será mesmo verdade? Pois bem, levando essa “aula” em consideração, poderíamos afirmar sem medo de errar que, se o certo ou o errado não existem de fato, não deveríamos nos preocupar com isso nunca, o que significa dizer que temos que ser egoístas e ponto final.

Claro que sim, se não existe certo ou errado, por que é que temos que nos preocupar com as conseqüências de nossos atos? Eles estão sempre certos, oras. Ou sempre errados… Você aí que decida.

E… agüente as conseqüências, porque uma coisa te falo, elas virão!

MM

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Pescando sozinho

Pescar

Normalmente não faço isso, mas como muita gente lê este Blog, mas não lê o que escrevo no meu Site, resolvi publicar simultaneamente nos dois espaços:

Meu trabalho como Coach confunde algumas pessoas, na verdade, o processo de Coaching é o que as confunde. Parte das pessoas pensa se tratar de um processo terapêutico, outros acham que é aconselhamento e por aí vai dependendo da imaginação de cada um.

Mas é inegável que algumas pessoas que me procuram querem alguma coisa nesse sentido, querem que eu as oriente no que fazer. Bem, o processo não tem nada a ver com isso, a não ser um certo direcionamento nas questões que levanto para o cliente e que o fazem pensar melhor no caminho a seguir.

Fora isso, mais nada. Não posso aconselhar muito menos interferir na vida das pessoas, por mais que – repito – elas busquem isso, ou melhor, esperem isso de mim.

O que isso tudo significa? No meu singelo modo de ver as coisas, acredito que as pessoas busquem uma bússola – para os mais novos, um GPS. Buscam alguém que lhes diga o que fazer por se sentirem absolutamente perdidas em sua jornada.

O melhor a fazer nessas horas é parar. Às vezes até dar um passo atrás para poder seguir em frente. É o que eu tenho dito aos clientes, pressa não só é inimiga da perfeição como é algo bem diferente de velocidade.

Mas as pessoas têm pressa de mudar suas vidas, de atingir seus objetivos. Eu sei muito bem disso, a vida não espera, se demorarmos, ela nos atropela.

A mistura de sentimentos se torna um turbilhão de idéias e a causa disso é o medo, o pior conselheiro que existe nesse mundo.

Ter medo do amanhã, das mudanças necessárias não só atrapalha como se torna um obstáculo intransponível. Medo engessa e todas aquelas milhares de idéias que nossa mente nos apresenta ficam apenas no campo das idéias e não no campo das ações.

Mas a verdade é que no processo que desenvolvi, a busca pela melhor solução vem de dentro, vem da própria pessoa, minha interferência é relevante, mas apenas em criar dúvidas quando percebo que a pessoa não está reagindo como ela mesma queria reagir.

Não é simples ajudar os outros e tenho notado que é mais complicado ainda as próprias pessoas se ajudarem. Parece que fica mais fácil na cabeça delas jogar o problema para outro resolver.

Pior é que muitos por aí fazem exatamente isso, dão o peixe, mas não ensinam a pescar. Clichê, eu sei, mas como sempre digo, se não fosse bom, não seria clichê.

MM

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Dependência ou Morte

dependencia

Outro dia, fazendo um projeto de treinamento que estou criando, algo que chamo de Estética Mental, parei por um instante e “resolvi” decretar mais uma das minhas teorias: Todos seres humanos buscam a dependência!

Pois é, sei que algumas pessoas jamais concordarão comigo, afinal, todos nós conhecemos tão bem as teorias, principalmente a de que dependência faz mal, mas a verdade é que no fundo no fundo todos estamos buscando depender de alguma forma de algo ou de alguém.

Claro, parece mais seguro, quem nessa vida não queria ter alguém que tomasse todas as decisões por nós? Pois é, mas a coisa vai mais além do que tomar decisões de onde é que vamos passar o final de semana. Muito mais além…

Me relacionei com uma pessoa por um tempo e analisando sua vida entendi perfeitamente por que ela era tão dependente emocionalmente da nossa relação. Aos 15 anos ela perdeu o pai, de quem era dependente. Usando a morte dele como uma boa desculpa, se meteu com drogas até os 19. Para se livrar, entrou para uma Igreja Evangélica e se converteu, tornando-se completamente fanática pela doutrina. Lá conheceu um cara e se casou, abandonou de leve a Igreja e ficou dependente do marido. Separou-se e depois de um tempo nos reencontramos e moramos juntos por quase 12 anos. Segundo ela, a dependência do “nosso amor” era tão grande que ela jurava não existir vida sem a nossa relação. Bobagem. Nos separamos e ela foi para a terapia, onde ficou completamente dependente do processo. Largou ao conhecer outro cara e agora está casada com ele. Não sei a quantas anda sua vida, mas posso imaginar.

Como esse exemplo, tenho vários e ficaria horas aqui descrevendo-os. Não só pelas minhas observações com amigos e conhecidos, mas também nos tratamentos que faço com clientes que de uma maneira ou de outra, dependem – e buscam isso sem se dar conta – de várias coisas ou pessoas.

Quando eu era jovem, me apaixonei por uma garota mais velha. Quando se é jovem – 17/18 anos – dois anos a mais é uma eternidade, inclusive porque as mulheres amadurecem mais cedo do que os homens. Bem, uma ressalva: Isso é o que dizem, não acredito nisso sem sob tortura chinesa. Mas vamos em frente.

Eu era completamente dependente dela, inclusive para me locomover, pois não tinha carro na época. Mas aprofundando um pouco o raciocínio, de fato eu era dependente daquela mulher. Ficamos juntos por pouco tempo, mas suficiente para eu achar que não existiria vida sem ela. Sim, era mesmo apaixonado pela garota e dependente dela.

Quando terminamos – ela me deu o fora porque descobriu meu casinho com outra menina – achei que jamais seria feliz no amor novamente. Até que numa conversa com minha mãe, ela me abriu os olhos dizendo que eu tinha uma identidade e que não poderia jamais em tempo algum colocar minha vida nas mãos de outra pessoa. Mesmo ainda triste, pensei no que minha mãe me ensinara e concluí que ela estava certa, eu deveria me tornar uma pessoa independente e no caso de me relacionar com outra pessoa, deveria ser uma relação que agregasse e não que dividisse.

Nada a ver com a tal entrega, mas sim com a tal expressão… “Quero alguém para dividir a vida”. Ora, pensemos juntos: A vida é uma só, nossa vida é uma só, nossa identidade é única… assim sendo, dividir isso com alguém é perder, é ter menos vida, não acham?

Mas é o que todo mundo faz, não somam ou multiplicam, dividem. Se entregam mais do que deveriam e aí está o maior problema: Perdem sua identidade e passam a viver a relação e de acordo com o outro. Se perderem essa dependência, é o mesmo que perder a própria vida.

Funciona com drogas, bebida, jogo e pessoas. Sabe aquela história de crise de abstinência? Pois é isso mesmo que acontece. Naquele caso que contei aí em cima, tive uma crise daquelas de abstinência, achava que não viveria mais sem a tal namoradinha. O que é esquisito porque eu mesmo a traí, ou seja, ela não era, em teoria, a coisa mais valiosa do mundo, pois se fosse, eu não colocaria a relação em risco, certo?

Mas no momento em que estamos vivendo uma relação de dependência, jamais enxergamos o todo, vemos apenas partes, vemos o quanto somos felizes ao lado da pessoa, o quanto elas nos faz bem, etc, etc, etc.

Até aí, tudo parece normal, afinal de contas, nos relacionamos para termos uma vida melhor, mas quando é que descobrimos que ultrapassamos a linha tênue que divide uma relação bacana de uma relação de dependência? Bem, como sempre digo, para dar essas respostas eu precisaria analisar caso a caso.

Uma coisa é certa, auto-analisar uma situação dessas sem ajuda é bem complicado, pois há o envolvimento emocional que compromete um julgamento imparcial. Quando estamos de fora vemos com mais clareza, não é verdade? Ou será que estou louco? Pense, já não detectou milhares de vezes que algumas relações de seus amigos eram de dependência e não de amor?

Creio que sim. Mas quando é para nós analisarmos onde estamos pisando a coisa fica bem diferente. Encontramos milhares de desculpinhas esfarrapadas, justificativas vazias para tentar nos enganar…

Seria bom se nossos Egos viessem ao mundo com uma lente de aumento, não? Enxergaríamos tudo com muito mais clareza…

MM

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Enganando quem?

Aliança

Viemos ao mundo para satisfazer nossos Egos, certo? Acho que todo mundo concorda com isso, mesmo os que se acham politicamente corretos e têm dificuldades em admitir tal coisa, sei que no fundo eles concordam comigo. (Esse meu lado prepotente hoje ta demais)

Mas olha só que coisa engraçada: Muitas, senão a maioria das vezes, satisfazemos nossos Egos com a mentira. Loucura? E quem é que disse que somos normais?

Mentir tem efeito de droga, mesmo sem nunca ter me drogado, sei os efeitos: Euforia, bem estar e, depois que passa o efeito, depressão.

Pois é, ainda vou falar muito sobre essas mentiras que satisfazem, mas hoje serei mais específico, vou falar de relacionamentos amorosos. Tudo porque no sábado, vi e assisti uma infinidade de manifestações de comemoração ao Dia do Solteiro.

Ah, fala sério… será que todo mundo que se manifestou vangloriando-se de estar solteiro o fez com base na verdade? Óbvio que não. Vou explicar meu ponto de vista. Ponto de vista esse de quem já viveu de tudo nessa vida, já adorei ser solteiro tanto quanto adorei estar com alguém.

Mas tudo tem seu momento. Uma pessoa que esteja saindo de uma relação complicada vai ser sincera ao afirmar: Nada como está sozinho. Até aí tudo bem, não há mentira nisso, afinal, a última referência dessa pessoa é o desastre.

Mas e aquelas pessoas que já estão sem ninguém há um tempo? Essas pessoas comemoraram o Dia do Solteiro de verdade ou apenas se enganaram?

Por mais incrível que possa parecer, acho que tudo fica muito parecido entre homens e mulheres. Por mais que os machos de plantão acreditam cegamente que estar sozinho é a melhor opção, eu duvido dessa afirmação, acho de verdade que é cegueira absoluta.

Todo mundo quer alguém, parece até que esse é um dos sentidos da vida. Comemorar o dia do solteiro da forma como vi as pessoas se manifestarem foi no mínimo hipocrisia.

Gente dizendo que era a melhor coisa do mundo, etc, etc, etc. Tudo mentira, o que queriam mesmo é estar perto de alguém que fizesse a diferença em suas vidas. Sendo assim, por que é que se enganam? Por que enganam seus Egos dizendo-se felizes com o estado civil atual?

Bem, porque é o mais fácil a fazer. Mudar alguma coisa é sempre mais complicado do que aceitar a realidade em que se meteram. Os gordinhos não fazem nada para emagrecer e se definem como felizes do jeito que estão. As magrelas não querem engordar porque preferem achar que o modelo atual de beleza são ossos e não carne.

Em outras palavras, ou melhor, nas mesmas palavras, enganar o próprio Ego é o que lhes parece mais correto. Mas e lá na intimidade? Sabe quando deitamos no travesseiro ou nos colocamos na frente do espelho e ficamos pensando na realidade… será que é verdade que os solteiros estão mesmo felizes?

Como eu disse, acho que não, afinal, ter uma companhia é sempre bom, faz bem ao Ego. Claro, ainda vale o ditado: Antes só do que mal acompanhado.

A verdade nua e crua é que todo mundo quer ter alguém para chamar de seu. Só é preciso um certo cuidado para não nos tornarmos dependente do outro, assim como não devemos nos tornar dependentes da solidão.

Taí, dependência me parece um bom tema para um próximo texto… 

MM

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Golpe de Estado

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Ontem fui me deitar pensando no que escreveria hoje aqui no Blog hoje. A única conclusão que cheguei foi a de escrever sobre revolução. Não sei se deve ou não ser armada, afinal, cada um que faça a sua própria. Mas melhor que ela seja uma revolução pacífica, apesar de que a proposta é de que tomemos o poder.

Política? Invadir Brasília e tirar o governo do poder? Não, nada disso, falo de uma revolução interna, de dentro para fora e pessoal. Claro que haverá estragos, o que chamarei aqui de danos colaterais, mas não dá pra fazer omelete sem quebrar ovos. Aliás, eu mesmo não consigo nem fazer ovo cozido sem quebrá-lo… Mas isso é uma outra história.

A idéia de fazer uma revolução foi a proposta que fiz a uma futura cliente. Ela, assim como muitos de nós, chegou a um ponto em que não consegue mais se mexer. A não ser que ela transforme tudo, ela não vai mais sair do lugar.

A melhor saída para quem está perdido, digamos que em uma estrada, por exemplo, é voltar e começar tudo de novo. Sem um GPS cerebral, muitas vezes nos perdemos e ficamos sem sequer saber qual foi o caminho de que percorremos e a volta para começar novamente o processo fica comprometida. Assim sendo, o melhor a fazer é parar, desligar os motores e apenas pensar. (Não desligue o cérebro nessa parada, pois você precisará dele)

Então estamos onde? Ah, parados no meio da estrada (Ia falar estrada da vida, mas pareceria muito com frases de pára-choque de caminhões). Ok, paramos e olhamos as possibilidades. Nessas horas, nosso Ego nos bombardeia de medos, nosso Id de desafios e riscos e nosso Superego de culpas por termos nos perdido.

Não se apavore, mande-os calar a boca e pense, pense no que deve fazer para revolucionar sua vida. Algo como uma mudança light, tipo… 180 graus.

Não existe solução simples para problemas complexos. Já falei por aqui um dia desses e repito o que disse à minha futura cliente ontem: Problemas complexos exigem uma boa dose de radicalismo na busca das soluções do caso.

Nessas horas em que nos sentimos perdidos, parece que é a vida que nos leva, que nos puxa – ou empurra abismo abaixo – e não nós que levamos a vida. Ficamos perdidos e se ainda estivéssemos na estrada que mencionei, a tendência seria a de seguir o fluxo dos carros. Quem é que nunca fez isso quando se perdeu?

Pois é, aí mora o perigo. Seguir os outros, para ser educado e não usar a palavra NUNCA, direi apenas que não é a melhor coisa a fazer, por uma simples questão: Os outros mostram caminhos de acordo com os interesses deles e não seus.

Se você começar a se deixar influenciar por tudo o que te falam para fazer, pode ter certeza, não vai andar um milímetro sequer. A idéia de ficar parado pensando é só uma primeira idéia, apenas para organizar a tal revolução, o tal Golpe de Estado. Entenda-se por Estado, seu próprio corpo, sua própria mente, enfim, você!

Essa coisa é meio doida porque além do exemplo da estrada sem GPS, poderia dizer que muitas vezes nos sentimos montados num cavalo descontrolado. Ou ele corre para todas as direções tentando te derrubar ou ele empaca e não se move nem com reza brava. A vida é o cavalo, pode-se afirmar sem susto.

Aí eu, que já passei algumas vezes por esses momentos tresloucados e engessamento severo, (adoro termos chulos) penso o seguinte: Por que diabos tenho que estar sobre alguma coisa que me leva para onde ela quiser? Não, nada disso, tenho que estar apenas sobre minhas próprias pernas apoiadas nos meus próprios pés.

Sendo assim, o Golpe de Estado começa por aí, é o caso de tomar o controle da própria vida, sem permitir que escutemos uma dia alguém falar: Eu avisei… (Provavelmente ouvirá isso da mesma pessoa que te aconselhou a seguir o caminho).

Tomar o poder na marra significa ter o controle e as responsabilidades pelos seus atos. Não é nada fácil, mas absolutamente imprescindível.

Quando estamos perdidos, normalmente andamos em círculos, o que me leva a afirmar duas coisas óbvias: Ou não se chega a lugar algum, ou se chega apenas aonde já se foi.

E mudar isso, sair desse circulo, como? Ahhh, conto outro dia, afinal, isso aqui nada mais é do que uma consultoria gratuita… Sendo assim, conto no dia que “estiver” mais… altruísta. 

MM

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Iceberg

Iceberg

Dia desses recebi um texto de um amigo/leitor que falava sobre uma tal de: Síndrome dos Vinte e poucos anos…

Texto interessante, mas diria que um tanto quanto precoce. Lá o autor parecia vivenciar um conflito, uma verdadeira crise de idade. Precoce porque pouca gente tem crise existencial aos vinte e poucos anos. Normalmente a crise aparece depois dos trinta.

Pouca gente, como disse, mas não nenhuma gente. Sim, é fato que os seres mais intensos levam a vida pensando nela e tentando entender qual é o sentido de tudo isso. Papo para longas horas de conversa, ou de escrita…

A verdade é que, como estou beirando os cinqüenta, mesmo que com corpinho de sessenta e cabeça de trinta, esses conflitos relatados no texto que mencionei me fizeram pensar e não só isso, me fizeram lembrar da minha crise dos vinte e poucos anos, para ser preciso, crise dos vinte e sete.

Naquela época eu morava sozinho, vivia uma vida de baladas, sexo, viagens, tudo sem medidas, tudo sem critério, absolutamente uma vida louca. Eu adorava, mas não foram poucas as vezes que me peguei pensando no futuro, o que me entristecia. Quando estamos vivendo plenamente, pouco nos damos conta do futuro. Eu trabalhava muito, vivia muito e passei a me preocupar muito.

Alguns se preocupam com o futuro financeiro, outros com a vida pessoal – relacionamentos, família, etc. – mas eu me preocupava com o sentido de tudo isso. Tentava encontrar um sentido para tudo o que fazia, em todas as áreas da minha vida. Jamais encontrei.

Constatado isso, hoje, passados 20 anos, vejo que as respostas ainda não são claras, talvez jamais sejam. Aí vem aquela dúvida: O que é que faz sentido nessa vida?

A gente nasce, cresce, se reproduz e morre. Pouco? Sim, bem pouco, mas basicamente é isso o que fazemos. Já gostei muito de viver e também já desejei morrer, mas o fato é que esses altos e baixos, pelo menos para mim, fazem parte do meu cotidiano desde sempre.

Já tive, como todo mundo, medo do futuro, arrependimentos pelo passado e agora percebo que existe uma generalização do medo do presente. Para qualquer lado que me viro, vejo gente com medo do presente. Alguns mais prudentes agregam ao medo do presente, um medo exagerado do futuro, tentam prever suas aposentadorias, enfim, coisas que não quero falar agora.

Muito bem, e de onde é que vem esse medo do presente? Bom, parte vem do passado, afinal, é por coisas passadas que chegamos até aqui. E o que essas pessoas estão fazendo efetivamente para que esse medo desapareça? Pois é, não vejo muita coisa sendo feita não.

Percebo, é claro, uma preocupação em buscar o entendimento de tudo isso, mas ações práticas não vejo não. Parece que todo mundo está com problemas e a única coisa que tentam fazer é constatar isso, poucos querem resolver.

Mas sejamos justos, aí entra o “X” da questão: Como é que se resolve isso?

Ok, buscar o entendimento, o que quero dizer, reconhecer que há um problema é o primeiro passo, óbvio, mas o que fazer para sair dessa?

A resposta é muito simples, porém a execução nem tão simples assim: Encontrar o que realmente se quer.

Parece fácil e se eu te perguntar agora o que você aí do outro lado realmente quer, vai me responder um monte de coisas impulsivamente, mas a resposta mesmo, a resposta efetiva e verdadeira, duvido que a tenha. Peguei pesado, não é? Sim, sei que peguei.

Sem saber o que se quer, jamais vai conseguir mudar o que te incomoda. É fato que descobrir o que quer não é das tarefas mais simples, muito menos decidir por mudar o que deve ser mudado.

Tudo isso dá uma falsa impressão de ser bem simples, mas faça o exercício, pergunte a si mesmo se sabe o que quer e o que deve fazer para alcançar. Sinto em dizer, mas vai perceber que é bem difícil encontrar as respostas.

A dica que eu dou é: Viva o presente, experimente o novo sem medo, sem expectativas e sem pensar muito no futuro. Como se fosse uma degustação. É o único modo de descobrir se algo te faz ou não bem. Depois, bem, depois deixemos para depois, afinal, crise aos vinte e poucos e só a pontinha do iceberg… Na verdade, qualquer crise, em qualquer idade… 

MM

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