Experiências Culminantes

deus

Maslow define como experiência culminante algo que nos acontece que nos “tira” da realidade, mas ele fala sobre o tema de maneira positiva apenas, como sendo algo comum às pessoas auto-realizadas.

Pois bem, depois de pensar muito, eu cheguei a duas conclusões:

1 – As experiências culminantes podem ser relacionadas a fatos negativos.

2 – Assim sendo, podem também colaborar com a auto-realização.

Não se trata de derrubar a teoria do conceituado Maslow, muito menos de uma visão pessimista de minha parte. Trata-se apenas de aprofundar um pouco mais a teoria e tentar pensar se as experiências culminantes ruins ou traumáticas não servem para alguma coisa boa.

Mas antes, vamos aqui exercitar exatamente a teoria de Maslow. Não sei quantas ou se teve alguma dessas experiências – apesar de acreditar que sim – mas eu posso dizer que tive várias delas exatamente como ele propõe. Algo que possa ter sido real, transcendental, místico e até religioso.

Falando dessas experiências, tive algumas em minha longa jornada até aqui. Maslow fala que nessas experiências saímos da nossa realidade, nos sentimos pequenos diante do todo. Ele tem razão.

O nascimento do meu filho, no momento em que ele saiu da barriga da mãe eu estava ali presente e foi uma dessas experiências de auto-realização. Eu sonhava em ser pai e naquele exato instante tive a prova de que havia conseguido. Me senti absolutamente feliz como nunca em toda minha vida.

No mundo religioso, tive algumas experiências. Aqui vou relatar duas delas, uma positiva e outra negativa.

Há alguns anos atrás estive no Grand Canyon. Vendo aquela imensidão, me senti um nada. Claro, um privilegiado por estar ali, mas muito pequeno em relação ao todo. Católico praticante que sou, senti de fato que aquilo tudo é algo que só um Deus pode ter feito, foi como se sentisse de fato a presença Dele. Experiência pra lá de culminante.

A negativa também envolve Deus. Um dia, no meio de uma tempestade depressiva pela qua passava, fui à igreja conversar com Ele. Era uma quarta-feira e a única coisa que fiz foi pedir para que Ele desse um jeito de me tirar daqui. Entenda-se por “daqui” como sendo a vida. Sim, eu queria de fato encerrar minha participação aqui na Terra.

Deus escreve certo por linhas tortas e hoje tenho certeza de que ele sempre nos atende, porém, do jeito “torto” Dele.

Eu pedi esse absurdo porque realmente não agüentava mais ficar aqui. Naquele momento, era a única coisa que eu queria de fato. Hoje vejo o quão absurdo foi aquilo, mas no momento parecia sensato pedir algo tão extremo.

O que Ele fez? Me atendeu, mas do jeito dele. Dois dias depois daquilo, entrei em coma e fiquei uma semana numa UTI. Sobrevivi, é óbvio, mas a que preço? Bem, o custo foi entender que eu estava vivendo de forma errada, não só pelos problemas de saúde que tenho – sou diabético tipo 1, pra quem não sabe – mas também pelos significados que dava às coisas e às pessoas. Aquela experiência culminante negativa serviu para algo positivo.

Voltando para a teoria, o que ele propõe é que essas experiências são comuns às pessoas auto-realizadas, mas só porque ele as enfatiza como coisas positivas. Eu discordo nesse ponto. Como disse acima, acho que as negativas também podem ser culminantes e ter um desfecho positivo.

Além disso, não acho que apenas as pessoas realizadas têm essas experiências. Acho que todos têm. A diferença talvez seja a percepção que temos delas, talvez ainda, caso você não esteja bem, seja difícil reconhecê-las como uma experiência culminante.

É fato que as pessoas não realizadas ou com problemas graves têm muita dificuldade de ver e perceber experiências positivas, mas é tão fato quanto que elas efetivamente as têm. O segredo está em olhar todas as experiências com um critério bem rígido e assim perceber detalhadamente cada coisa que nos acontece.

Talvez percebamos que mesmo durante uma tempestade podemos enxergar a terra firme logo ali, ao nosso alcance, a um piscar de olhos. Até porque, caros leitores, essas experiências não duram muito tempo. Ás vezes não mais do que um simples piscar de olhos, mas tempo suficiente para detectarmos que foi de verdade uma experiência culminante.

E você, faça um favor, pense aí no seu canto quantas e quais experiências desse tipo teve em sua vida. E tente, mas tente de verdade e, com comprometimento, sempre buscar algo parecido, afinal, estamos aqui para tornar nossos Egos realizados, não é?

Ah, antes que me esqueça, aqui vai um toque do “teórico” MM: Quando percebemos e identificamos uma experiência como culminante, nossa vida melhora muito, pois são nessas horas que nos sentimos vivos. Plenamente vivos, se é que me entendem.

MM

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Publicado em Ego. 10 Comments »

10 Respostas to “Experiências Culminantes”

  1. Anônimo Says:

    Me desculpe mas achei o seu texto muito ruim. Quer dizer, está certo, suas emoções estão certas. Mas infelizmente os conceitos de Maslow não estão empregados de forma correta.
    Espero que você possa melhorar sua teoria!
    Abs.

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  2. Andréia Says:

    os.:meu comentário anterior foi enviado com falhas.
    vou concluir com um segundo exemplo (que era pra ter ido junto)
    2° pai
    Assim como para outro pai que acaba de ganhar um filho…
    Meu Deus!!!! que desastre!!!
    oque ele fará daqui pra frente???
    isso é algo super negativo (no ponto de vista dele).
    e mudará tanto a sua vida quanto a do primeiro pai.
    >>>Experiência Platô<<<<.

    corrigindo:
    o 1° pai é Experiencia Culminante

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  3. Andréia Says:

    Bom Marcelo.

    Foram lindas suas palavras…e realmente acredito que todos passamos por Experiências Culminantes em nossas vidas.
    Mas o relato de sua experiência,acredito que não se enquadre na “Experiência Culminante”, pois Maslow, falava também sobra as “Experiências Platô”,que são tão intensas, ao ponto de marcar nossas vidas para sempre, e nos provocar mudanças radicais de ideais, pensamentos, atitude e etc.
    Portanto, as Experiências Culminantes são mais positivas, e a Platô, são mais negativas mas podem ter um desfecho positivo ou negativo, dependerá da percepção de cada um de nós.
    Por exemplo, o pai que acaba de ganhar um filho!!!
    lindo!!!
    isso é extremamente positivo e mudará sua vida completamente.
    >>>Experiência Culminante.<<<>>Experiência Platô<<<<.

    No caso que você relatou acima, eu acredito que foi uma Experiência Platô, com um desfecho positivo.
    Bom, não estou aqui para ser a mais sábia entendedora de Teoria Humanista,mas ontem ainda tive uma aula sobre Maslow, e não pude deixar de comentar sua experiência em sala de aula. E minhas palavras acima, são apenas as colocações da professora.

    Um grande abraço!!!

    Andréia Royer

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  4. Sil Says:

    Amore…
    A arte em escrever e retratar acontecimentos…é verdadeiramente seu dom..
    Concordo e acredito…que crescemos muito mais…com experiências negativas…essas sim…são culminantes e positivas…crescemos..e aprendemos muito com elas…

    Cada novo texto…uma nova emoção…

    Amo vc….

    Bjos!

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  5. Jacira Maria Says:

    Marcelo,

    por favor post um Feed do seu blog para que possamos acompnhá-lo melhor.
    Se puder me mande um email avisando.

    Abraço.

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  6. Gabriela Says:

    Lágrimas, lágrimas e mais lágrimas. Pela sua história, pelas minhas, pelas lembranças.
    Odeio amar tanto ler suas coisas, Marcelo.
    Mexeu profundamente com quem estava quieta. Me deve umas dez caixas de lenços, rsrsrsrs
    Beijos, beijos, beijos. Sua super fã, cada dia mais.
    Gabi

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  7. Maria Tereza Says:

    Valeu curtir minha ansiedade.
    Que presente você nos deu, aposto que todos estão nesse momento relembrando seus momentos culminantes.
    Texto perfeito e as idéias geniais.
    Só posso agradecer de coração.
    Obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  8. Viviane Says:

    Depois de ler tudo o que já escreveu, não consigo dizer outra coisa senão: Esplendoroso. Poucas vezes me emocionei com algo que li, Marcelo e você provocou essa catarse em mim.
    Lembro de algumas experiencias culminantes que tive mas deixamos passar batido. Agora lendo isto me fez lembrar de cada uma delas. Obrigada pelo desafio.
    Brilhante.

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  9. Dalbergia Says:

    entendi…

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  10. Fernanda Says:

    Ah! Não conhecia essa página nova… já está salva em meus favoritos!

    Uau! Adorei o texto!

    Para tudo na vida há a leia da ação/reação; causa/consequência… Por isso temos que saber vigiar nossos atos e pensamentos e focarmos no que realmente queremos… Temos que ter fé apenas no positivo, em Deus, em uma energia, no que quiser… desde que faça o Bem… Quem acredita nas coisas boas e ruins não tem fé… só uma crença mixuruca.

    Parabéns pela nova página !!!!!!!! (mesmo atrasada)

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