Crise – 2

labirinto 

A tal crise. Ela aparece e engessa nossas atitudes. Vou contar uma coisa bem pessoal, há alguns anos atrás, eu que amo escrever, resolvi parar por um tempo.

Conversando com amigos, todos me perguntavam quando me encontravam: E aí, quando sai o novo livro? Que novo livro?

Bom, um escritor escreve, mesmo que tenha outras atividades, para as pessoas elas nem existem. Quando você muda seu estado profissional, e passa a ser escritor, todos te cobram livros. E olha que mantenho um site, este blog, já tive outros, escrevo para revista, mais um site, etc. Não adianta, na cabeça dessa gente, escritor escreve livros e ponto final.

Escrever é minha paixão desde sempre. Estar no meio de uma turbulenta crise nunca foi apaixonante. Para eliminarmos essa crise, o mais lógico é fazer alguma coisa que nos dê prazer. Prazer imediato, instantâneo. Mesmo sabendo que escrever um livro demanda tempo, competência e sorte. Mas o ato de escrever é um prazer imediato, pois cada letra colocada no papel representa um momento, um instantâneo, seja da sua vida, seja da sua imaginação.

Conclusão: Eu odiava estar no meio de uma crise e amava escrever. Naquela época, minha terapeuta numa das sessões simplesmente me pergunta com a maior naturalidade desse mundo:

– Por que não está escrevendo nada além das coisas que escreve, digo, por que não escreve um livro, alguma coisa mais séria do que já faz?

Olhei bem para a cara dela, querendo xingá-la, mas me contive… Quem ela pensava que era? Só porque cuidava de mim tinha o direito de me perguntar uma coisa dessas?

Pela reação que tive, ficou claro que ela mexeu num vespeiro. Pela reação que tive, ficou claro que ela estava certa. Um Marcelo Mello em crise só se cura mexendo na ferida. Não sei qual seu nome aí do outro lado, mas você só será curado se mexer na sua ferida. E quer saber de uma coisa? Sei que ama, que tem paixão doentia por alguma coisa. Então, faça-a!

Em suma, o tal vespeiro que a terapeuta mexeu significa: Como podia eu “pregar” que devemos ter um hobby se eu mesmo não estava cuidando do meu? Como podia querer abandonar o que faço – ainda um trabalho que tenho e que não suporto – se não estou fazendo nada para tornar rentável a atividade que amo?

O incrível é, porque eu mesmo não me importei com isso? Porque tive que ouvir de uma profissional essa bronca danada, sendo que eu mesmo deveria ter pensado nisso?

Simples, porque no meio da tempestade jamais enxergamos a calmaria.

E isso, os livrinhos de auto-ajuda não nos ensinam. Todo mundo prega o pensamento positivo se esquecendo do básico: Como se pensa positivo no meio da tempestade? Isso não nos ensinam e para falar a verdade, não precisamos desses livros.

O que precisamos para sair de uma crise é entrar nela. Muito óbvio? Ok, eu mudo. O que precisamos para sair de uma crise é pensar positivamente. Muito estúpido? Ok, eu mudo. O que precisamos para sair de uma crise é aceitá-la, percebê-la, entendê-la e derrotá-la. Agora sim.

Só tem um probleminha nesse meio, nem sempre percebemos a crise. Aliás, quase nunca, pelo simples fato de que odiamos perder e entendemos qualquer problema que enfrentamos como uma derrota. Perceba que a crise é fundamental porque “ela” vai nos sinalizar ou até mesmo dizer o que está errado, o que está faltando.

Isso não encontramos nos livros de auto-ajuda. Não pretendo aqui dizer a você o que está errado com sua vida, a menos que me contrate para ser seu Personal Coach. Pretendo sim, de alguma forma, alertar você que pode estar se sentindo ou agindo de maneira estranha e não sabe o motivo, ou o nega com a ajuda dos mecanismos de defesa do nosso Ego.

O que eu proponho é negar a negação. Estranho? Pense um pouco que vai entender.

MM

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Publicado em Ego. 1 Comment »

Uma resposta to “Crise – 2”

  1. Dalbergia Says:

    Bom demais esse texto. Mas eu acho que neguei tão bem negado que já nem sei mais o que é.
    Mas olhar a crise por este prisma é tão confortável como sair do labirito que vc colocou p ilustrar o texto.
    Eu caminhei pelas linhas brancas.
    Alguém chegou aqui do lado perguntando o que era isso e imediatamente pôs-se (q verbo feiiio) a caminhar pelo labirinto por dentro das linhas pretas. Já fez isso? Acho q era o q eu fazia (conjuguei o verbo certo an ran?) na minha vida. Agora vejo q tem saída, embora ainda não dê pra ver onde é.
    Já falei que gosto muito dessas imagens?

    Ah! Livro é DIFERENTE de blog. Livro vc pode ler de uma vez, com ansiedade. Acabar logo.
    Estou gostando do blog e continuo gostando de livro.

    Curtir


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