Auto-Estima

Egosistema - Autosestima

Ontem eu estava relendo um texto do meu segundo livro, o Desconforme-se, onde falo sobre auto-estima. Interessante. Bom reler coisas que foram escritas em 2005. Não tenho o costume de ler meus textos depois que os publico, mas achei interessante fazer isso ontem, já que hoje eu queria escrever mais alguma coisa sobre o assunto.

Naquele texto eu falei muito sobre como os eventos externos baixam nossa auto-estima e hoje, depois de tanto tempo, minha experiência diz que nós mesmos somos os responsáveis por esse problema.

Eu sou um tanto quanto duro com meus clientes, normalmente não os trato como “bichinhos”, não sou de passar a mão na cabeça. Acho que os tratamentos devem ser rigorosos e objetivos e não subjetivos e lentos. Mas isso é outra história.

Por que falei isso… Olha só, como eu disse, vejo que nós mesmos nos minamos, nós mesmos nos permitimos ser afetados pelos julgamentos dos outros e pelo nosso julgamento que por vezes pode ser completamente diferente da realidade.

É fato que há muitas pessoas que se sentem inferiores por natureza, afinal, elas acreditam que de nada são capazes. O que é mentira! Mas digamos que eu esteja falando para você aí do outro lado, uma pessoa normal e que sofre com os altos e baixos da sua auto-estima.

Falando duramente, te perguntaria: O que faz a respeito?

Parece simples responder, mas sei que não é. Já tive clientes que ficaram bravos comigo por ter feito essa pergunta, até porque na hora da resposta eles listam dezenas de coisas para justificar o que fazem, mas cá entre nós, que ninguém “nos ouça”, essas listas não condizem com a verdade. O fato é que eles se incomodam porque eu os desafio dizendo que a lista é falsa.

E normalmente é falsa mesmo, pois temos uma tendência a justificar tudo e normalmente apontar nossos lindos dedos em direção aos outros. As justificativas são diversas e nem vem ao caso agora, mas quero que pense sobre isso, quero que pense por que é que sofre com esse lance de baixa auto-estima. Se você não sofre, feche essa tela e continue feliz…

A verdade é que nós valorizamos muito pouco as coisas que fazemos e isso é o que estraga tudo. Sem falar que levamos em conta as opiniões dos outros que – podem ter certeza disso – têm o maior prazer em baixar a auto-estima alheia.

Ora, se leram dois textos atrás, devem se lembrar que falei em contemplação. Não no sentido apenas de “olhar o por do sol e agradecer a Deus por proporcionar uma visão tão linda”. Falo também de contemplar a sua própria vida, as suas próprias realizações que, aposto, são muitas independente da sua idade.

Contemplar é algo positivo. O que fazemos, sei lá por que, é constatar que o que fizemos não tem lá grande importância. Um contraponto, afinal de contas, repito e repetirei bilhões de vezes se necessário for: Viemos ao mundo para inflar nossos Egos.

Podem os psicólogos torcer o nariz, mas eu acredito que essa é uma verdade absoluta, nossa função aqui é essa pura e simplesmente.

Um dia desses, eu estava atendendo uma cliente e pedi para ela me dizer quais os momentos que ela teve em sua vida que foram realizadores. Ela pensou, pensou e disse que tudo o que havia feito na vida pouco significava porque havia sido “por obrigação”. Eu fiquei P… da vida e, como já a conheço bem, listei eu os seus grandes feitos. Exatamente os mesmo que ela tinha me dito, mas dei outro enfoque, desviando da obrigação e fortalecendo a realização pessoal, o prazer que ela sentira em cada um dos itens.

Ao final, ela me disse: Nunca tinha pensado por este prisma.

Oras bolas, e tem outro prisma? O único que conheço é este, o de valorizar as coisas, grandes ou pequenas, como se fossem feitos absurdamente – vejam a palavra que usei, absurdamente – fortalecedores da auto-estima.

Tudo bem que temos obrigações e elas são chatas e tediosas, mas há que se valorizá-las da mesma forma. Ok, odeia suas obrigações? Elas não te dão prazer algum? Então vamos tentar algo que venho falando há anos…

Conto no próximo texto…

MM

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Cegueira Deliberada

cegueira

Por que esse título, devem estar perguntando… Simples, porque acho que nós somos cegos de propósito. Sim, apesar de me achar mega prepotente, por vezes me incluo no quesito cegueira.

O fato é que enxergamos tão bem os problemas… Ops, há aí uma contradição? Não, claro que não, enxergamos tão bem os problemas quando estes são – ou aparecem – nos outros. A cegueira se instala quando os problemas estão dentro de nós mesmos. Aí para enxergar é um Deus nos acuda.

Naquele treinamento que desenvolvi e que publiquei recentemente no meu site, baseado no que chamo de Terapia do Espelho, há um item específico falando sobre isso. Quem quiser ler, é só clicar aqui e abrir, na própria Home, uma página chamada Estética Mental. O item 4 trata disso: Identificação e Reconhecimento.

Tente se lembrar, digamos… apenas no último mês, quantas vezes você identificou “no outro” algum problema. Agora continue o exercício e veja quantas vezes identificou algo em você mesmo. Mais fácil ver os problemas dos outros, não é? Eu sei que sim, dá menos trabalho, dói bem menos também.

Certa vez discutia com amigos os problemas de um outro amigo – ausente na “reunião” – e num determinado momento eu pedi a palavra e perguntei aos outros na mesa: Quantos de nós temos esse mesmo problema e não fazemos nada? Por que enxergamos isso no fulano e não enxergamos isso em nós?

Preciso dizer que o clima azedou? Acho que não, aposto que entendem meu ponto de vista. A discussão foi longe, no momento em que eu fiz essa simples pergunta, pareceu que eu havia chamado a mãe de todos eles de… bom, deixa pra lá.

Temos de verdade uma dificuldade danada de ver a realidade, a nossa realidade, nossos problemas. Muitas vezes os mesmos problemas que vemos tão facilmente nos outros.

Tudo bem, os mecanismos de defesa como negação e projeção estão aí para isso mesmo, preservar e defender nossos Egos. Mas francamente, até quando se pode enrolar, empurrar a sujeira para debaixo do tapete sem alguma conseqüência?

Bem, a triste constatação é que podemos fazer isso para sempre. Podemos sim – e saibam que isso é bem freqüente – não querer enxergar a realidade por toda uma vida. A conseqüência dessa cegueira não é a felicidade, posso garantir isso com a mesma certeza que me chamo Marcelo.

E não querer enxergar deliberadamente é o que fazem os covardes. Palavras duras eu sei, radicais até certo ponto, mas eu afirmo, não se trata problemas graves e radicais sem atitudes radicais. E radical aqui, em meu singelo ponto de vista, seria continuar, perpetuar essa covardia consigo mesmo. Ou conosco, afinal, não foram poucas as vezes que eu me escondi de mim.

Mas confesso que depois que identifiquei, analisei e entendi certos problemas, em outras palavras, aceitei e percebi a realidade, a melhora foi bem grande. Dói? Ah, e como, mas o que dói mais, esconder e maquiar a realidade ou aceitá-la e alterá-la?

A resposta que parece óbvia na verdade não é. Dói mais aceitar e tentar alterar do que maquiar. E é por isso que muita gente prefere levar uma vida na escuridão da cegueira a abrir os olhos e ver o mundo, o seu mundo como ele se apresenta. Por isso chamo de Cegueira Deliberada, porque esses o fazem de propósito. Dói menos sim, isso é um fato.

Mas atentem para algo interessante: Viver a vida toda às cegas tem um preço alto porque um dia, mais cedo ou mais tarde, você mesmo, seu próprio Ego vai te perguntar algo que não haverá resposta: Quem é você?

Você, no caso, não será você porque viveu toda uma vida sem saber onde estava, quais angústias teve, quais problemas superou, enfim, não saberá quem é e nem do que é capaz. E isso pode até não produzir a tal dor inicial, mas provavelmente vai produzir um arrependimento muito grande porque resolver problemas dá um prazer inigualável.

Talvez por essas razões meu trabalho com pessoas seja tão difícil ao mesmo tempo que gratificante. Mostrar a realidade ao cliente não é fácil, ainda mais quando ele quer permanecer na escuridão, mas quando ele enxerga o problema e se livra dele, o prazer é imenso, para ele e para mim.

Só mais uma coisa: Parece que viver uma vida sem dor é algo bom não parece? Pois bem, sei que sim, mas isso provoca que tipo de crescimento? Viver numa ilusão serve para que?

O bom da vida não é passar por ela sem problemas – que conscientemente sabemos ser impossível –   ou sem enxergá-los, o bom da vida, continuo afirmando isso até o fim, são os altos e baixos. Os altos fazem parte daquela sensação que temos de dever cumprido, de um degrau a mais conquistado quando nos livramos dos “baixos”. 

MM

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Nosso Real Valor

contemplacao

O texto passado provocou algumas reações interessantes nos meus fiéis leitores. Bem, confesso que em mim também. Vou explicar melhor.

Quando escrevo algo, de fato me concentro naquilo, vivo intensamente o que estou escrevendo e pensando para poder colocar da melhor maneira no “papel” minha idéia. Raramente leio meus textos novamente, faço apenas uma revisão até certo ponto superficial.

Mas no texto “Experiências Culminantes” eu reli até mais de uma vez, pois as manifestações das pessoas me levaram a isso. Seja pelos comentários, por e-mail ou pelo MSN, muita gente falou comigo a respeito. Assim sendo, acabei relendo várias vezes.

Notei algo interessante, as reações todas foram incríveis, mas um tanto quanto óbvias. O texto provocou nas pessoas algo que deveria ser rotineiro, provocou nelas a atitude de olhar para a própria vida e perceber que as tais experiências estão mais presentes do que imaginavam.

Isso é óbvio, mas não rotineiro. O que estou querendo dizer é que todos temos experiências dessas em nossas vidas, sejam elas mais ou menos intensas, mas temos. O que chama atenção é que não percebemos no dia a dia. Por quê?

Porque falta a tal contemplação. Sim, contemplar a própria existência. É interessante como olhamos apenas para nosso umbigo quando temos algum interesse envolvido, mas não levamos em conta que é também nosso – senão o maior de todos – interesse melhorar a famosa e tão esquecida auto-estima.

Sim, é um fato e uma verdade absoluta o que vou dizer agora: Todos nós temos graves problemas de auto-estima.

Ora, o que são as experiências culminantes senão uma constatação de que somos capazes de qualquer coisa? Já escrevi aqui mesmo nesse Blog um texto que tem como título: Podemos tudo.

Por menor que possa parecer, qualquer experiência tem que ser levada em conta. Uma conquista, uma decisão importante, uma atitude de carinho e atenção com o próximo, uma ajuda, um beijo, uma boa performance na cama, uma palavra bem colocada numa reunião importante, enfim, qualquer coisa que fazemos em nosso dia a dia pode ser colocada, ou melhor, elevada ao registro de Experiência Culminante.

Mas não fazemos isso por pura falta de contemplação da própria vida. Admiramos os feitos dos outros, mas raramente os nossos. Estranho, mas é assim mesmo, viemos ao mundo para satisfazer nossos Egos, mas raramente damos “bola” para ele.

Meus leitores me elogiam e eu às vezes acho que eles exageram na dose e isso tem uma motivo: Bem, sou normal e acho que devo ter problemas de auto-estima. Mas já fui pior, já conheci os dois extremos.

Em uma época da vida eu achava que não servia pra nada e que tudo o que fazia era normal e rotineiro, quase óbvio. Estava errado. Em outra época me achava o máximo e em tudo o que fazia era merecedor dos mais significativos elogios. Estava errado também.

Para falar a verdade, o que importa é o que pensamos sobre nós mesmos e não o que vem de fora. E é aí que mora o “problema”. Temos que ter um critério de avaliação apurado senão passamos do limite para cima ou para baixo. Temos que saber nosso real valor em todas as áreas da vida. Isso é fundamental para qualquer coisa que façamos.

Por exemplo, eu tenho que ter a exata noção de que o que escrevo pode fazer bem para as pessoas, mas que isso não é e jamais será crucial na vida delas. Tenho que saber que pode ajudá-las, mas que essa ajuda não será essencial. Por outro lado, não posso acreditar que o que escrevo não fará nenhuma diferença. Em suma, tenho que saber com clareza o que é real e não ficar alimentando ou desnutrindo minha auto-estima.

Se nos habituarmos a contemplar todas as coisas de maneira mais profunda, veremos que vivemos algumas boas experiências. Me assusta ver leitores ou clientes dizerem que sentem um vazio imenso, que “nada acontece em suas vidas”. Ora, isso é de uma inocência sem precedentes, é óbvio que coisas acontecem, só precisamos estar alertas para enxergar.

Hoje não vou me alongar, mas volto em breve a falar sobre esses temas, “cegueira”, contemplação e auto-estima…

MM

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Experiências Culminantes

deus

Maslow define como experiência culminante algo que nos acontece que nos “tira” da realidade, mas ele fala sobre o tema de maneira positiva apenas, como sendo algo comum às pessoas auto-realizadas.

Pois bem, depois de pensar muito, eu cheguei a duas conclusões:

1 – As experiências culminantes podem ser relacionadas a fatos negativos.

2 – Assim sendo, podem também colaborar com a auto-realização.

Não se trata de derrubar a teoria do conceituado Maslow, muito menos de uma visão pessimista de minha parte. Trata-se apenas de aprofundar um pouco mais a teoria e tentar pensar se as experiências culminantes ruins ou traumáticas não servem para alguma coisa boa.

Mas antes, vamos aqui exercitar exatamente a teoria de Maslow. Não sei quantas ou se teve alguma dessas experiências – apesar de acreditar que sim – mas eu posso dizer que tive várias delas exatamente como ele propõe. Algo que possa ter sido real, transcendental, místico e até religioso.

Falando dessas experiências, tive algumas em minha longa jornada até aqui. Maslow fala que nessas experiências saímos da nossa realidade, nos sentimos pequenos diante do todo. Ele tem razão.

O nascimento do meu filho, no momento em que ele saiu da barriga da mãe eu estava ali presente e foi uma dessas experiências de auto-realização. Eu sonhava em ser pai e naquele exato instante tive a prova de que havia conseguido. Me senti absolutamente feliz como nunca em toda minha vida.

No mundo religioso, tive algumas experiências. Aqui vou relatar duas delas, uma positiva e outra negativa.

Há alguns anos atrás estive no Grand Canyon. Vendo aquela imensidão, me senti um nada. Claro, um privilegiado por estar ali, mas muito pequeno em relação ao todo. Católico praticante que sou, senti de fato que aquilo tudo é algo que só um Deus pode ter feito, foi como se sentisse de fato a presença Dele. Experiência pra lá de culminante.

A negativa também envolve Deus. Um dia, no meio de uma tempestade depressiva pela qua passava, fui à igreja conversar com Ele. Era uma quarta-feira e a única coisa que fiz foi pedir para que Ele desse um jeito de me tirar daqui. Entenda-se por “daqui” como sendo a vida. Sim, eu queria de fato encerrar minha participação aqui na Terra.

Deus escreve certo por linhas tortas e hoje tenho certeza de que ele sempre nos atende, porém, do jeito “torto” Dele.

Eu pedi esse absurdo porque realmente não agüentava mais ficar aqui. Naquele momento, era a única coisa que eu queria de fato. Hoje vejo o quão absurdo foi aquilo, mas no momento parecia sensato pedir algo tão extremo.

O que Ele fez? Me atendeu, mas do jeito dele. Dois dias depois daquilo, entrei em coma e fiquei uma semana numa UTI. Sobrevivi, é óbvio, mas a que preço? Bem, o custo foi entender que eu estava vivendo de forma errada, não só pelos problemas de saúde que tenho – sou diabético tipo 1, pra quem não sabe – mas também pelos significados que dava às coisas e às pessoas. Aquela experiência culminante negativa serviu para algo positivo.

Voltando para a teoria, o que ele propõe é que essas experiências são comuns às pessoas auto-realizadas, mas só porque ele as enfatiza como coisas positivas. Eu discordo nesse ponto. Como disse acima, acho que as negativas também podem ser culminantes e ter um desfecho positivo.

Além disso, não acho que apenas as pessoas realizadas têm essas experiências. Acho que todos têm. A diferença talvez seja a percepção que temos delas, talvez ainda, caso você não esteja bem, seja difícil reconhecê-las como uma experiência culminante.

É fato que as pessoas não realizadas ou com problemas graves têm muita dificuldade de ver e perceber experiências positivas, mas é tão fato quanto que elas efetivamente as têm. O segredo está em olhar todas as experiências com um critério bem rígido e assim perceber detalhadamente cada coisa que nos acontece.

Talvez percebamos que mesmo durante uma tempestade podemos enxergar a terra firme logo ali, ao nosso alcance, a um piscar de olhos. Até porque, caros leitores, essas experiências não duram muito tempo. Ás vezes não mais do que um simples piscar de olhos, mas tempo suficiente para detectarmos que foi de verdade uma experiência culminante.

E você, faça um favor, pense aí no seu canto quantas e quais experiências desse tipo teve em sua vida. E tente, mas tente de verdade e, com comprometimento, sempre buscar algo parecido, afinal, estamos aqui para tornar nossos Egos realizados, não é?

Ah, antes que me esqueça, aqui vai um toque do “teórico” MM: Quando percebemos e identificamos uma experiência como culminante, nossa vida melhora muito, pois são nessas horas que nos sentimos vivos. Plenamente vivos, se é que me entendem.

MM

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Crescimento Saudável

maslow

Em minhas leituras, normalmente textos técnicos sobre psicologia, comportamento humano e coisas do tipo, vez ou outra me deparo com algo que considero esplendoroso. Já estudei tantos teóricos que nem sei mais o número exato. Confesso, sem ser petulante, que muitos deles não são de grande ajuda, mas outros são brilhantes.

Quando sinto uma identificação com o que penso, aí é a glória, pois sinto que posso usar em favor de meus clientes de Coaching.

Um desses gênios da psicologia é Abraham Maslow (1908 – 1970). É dele um dos estudos mais importantes e mais intrigantes sobre Auto-realização, foco principal de todo meu trabalho e de meus estudos do comportamento humano. Ele criou o que hoje é conhecido mundialmente como O Conceito de Crescimento Saudável de Maslow.

Não vou aqui descrever toda a teoria, afinal, nos mecanismos de busca da internet pode ser facilmente encontrado. Algumas coisas do que ele dizia são absolutamente alinhadas com meu pensamento. Por exemplo, esta celebre fase de sua autoria:

“Não há seres humanos perfeitos! Podem ser encontradas pessoas boas, realmente muito boas, na verdade maravilhosas… E, ainda assim, estas mesmas pessoas podem, às vezes, ser tediosas, irritantes, petulantes, egoístas, zangadas ou deprimidas”.

Indo um pouco mais além, ele enfatizou que a auto-realização não é um fim, e sim um processo para o qual não há um fim. Como uma viagem, nossas vidas podem abranger desvios e até movimentos de recuo. O que importa é o que fazemos ao longo do caminho e não o destino.

Pois é, eu até escrevi sobre isso em meu segundo livro, o Desconforme-se. Lá eu disse que a felicidade não está na conquista e sim na busca. É durante o processo da busca que nos sentimos realmente felizes. A busca é constante e pode ser alterada ao longo do caminho.

O que estou querendo dizer é que nossos sonhos e objetivos podem ser alterados ao longo do percurso. O que importa é manter-se buscando algo, é sempre ter um sonho dentro de si. Com um sonho no coração jamais nos sentimos sozinhos.

Enfim, vamos em frente com a interessante lista que Maslow fez sobre determinadas características que os indivíduos saudáveis apresentam:

1 – Percepção mais eficiente da realidade.

2 – Aceitação (de si mesmo, dos outros e do mundo).

3 – Espontaneidade e naturalidade.

4 – É mais centrada no problema do que centrada no Ego.

5 – Necessidade de privacidade e distanciamento das situações.

6 – Independência das influências culturais e ambientais.

7 – Apreciação vigorosa de toda experiência.

8 – Tem experiências místicas e culminantes.

9 – Sentimento de bondade em relação aos outros.

10 – Relacionamentos profundos com os outros.

11 – Atitudes democráticas.

12 – Distingue entre os meios e os fins, entre o bem e o mal.

13 – Senso de humor filosófico, não hostil.

14 – Formas auto-realizadoras de criatividade.

15 – Forma atitudes e valores independentemente da cultura.

É isso. Qualquer dia desses vou escrever sobre Experiência Culminante… 

MM

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Pensar cansa

Pensador

Pensar cansa. Cansa mesmo. Pensar dá tristeza, medo, angústia, culpa e outras tantas coisas que a princípio parecem negativas. Não são. Se você consegue e tem coragem de pensar é porque quer realmente mudar alguma coisa.

Digo isso porque a maioria não quer pensar não. Aliás, odeiam pensar na própria vida porque tem medo de que fracassem mais ainda. Aquele tipo de gente que conhecemos que não pensa na vida com medo das conclusões. Mas eu aviso, estão apenas adiando os problemas, escondendo embaixo do tapete toda a sujeira. Estão também aumentando exponencialmente as conseqüências ruins de tudo o que terão que enfrentar pela frente.

Falando dessa maneira parece que a vida é um fardo e tanto. E é mesmo, mas apenas para aqueles que têm medo dela. Sim, existe muita gente que tem medo da vida. Nem sei porque nasceram, mas enfim, só Ele vai nos explicar isso um dia.

Quando disse que pensar cansa, quero que pense agora aqui comigo, quantas vezes você teve medo de pensar e quantas pessoas conhece que tem esse medo. Digo que várias, para ambos os pensamentos.

Tanto isso é verdade que esses livros de auto-ajuda que compramos têm esse efeito, pensar por nós. Achamos que lendo ou descobrindo uma fórmula mágica, não precisaremos pensar. Achamos que somente seguir alguma imbecilidade que alguém prega, bastará para que nossa vida mude radicalmente.

Em outras palavras, a maioria dos seres inteligente precisa de um norte. Veja só que absurdo eu vi outro dia num carro. Emparelhei com uma mulher, na casa dos 40 anos e muito, muito bonita. Após o farol abrir, fiquei atrás do carro dela e um enorme adesivo colado no vidro me chamou atenção a ponto de eu quase pará-la para conversar a respeito. Sei que sou louco, mas me controlei e só pensei, problema dela se ela é assim.

Dizia o adesivo em inglês mais ou menos isso: “Eu nunca me perco. Alguém sempre me diz o que fazer”.

Pode passar “batido” para qualquer pessoa, mas para mim não. Eu fiquei tão indignado com aquilo e tão triste ao mesmo tempo que anotei na hora para não me esquecer depois. Como é que alguém confessa uma coisa dessas? Como confessar que não se sente perdido porque alguém sempre diz o que ela deve fazer? Que espécie de vida tem uma pessoa dessas?

Já em casa, pensando a respeito, descobri que essa gente é a maioria aqui na terra. Desculpem, mas é sim. Pesado afirmar, mas quando pensamos mais profundamente em tudo, descobriremos que é verdade. Os livros de auto-ajuda vendem como pão quente. As palestras de seus autores ou de gurus estão cada vez mais concorridas.

Por que? Simples, as pessoas estão buscando fora o que deveriam procurar dentro. Calma, vou explicar. Procuram fora, através de livros e palestras, o que deveriam procurar dentro de si mesmas. Querem que alguém lhes diga o que fazer. Acham, que uma generalização de problemas e soluções pode ajudar a resolver algo tão íntimo e pessoal. Eu afirmo com todas as letras novamente: O que soluciona algo para mim não soluciona para você, mesmo que o problema seja parecido. Ou até mesmo igual. Sabe por que? Porque um mesmo problema tem significado diferente para cada ser. Somos, antes de qualquer coisa, um ser individual e uma só identidade.

Procurar em livros ou em palestras o que devemos fazer é o mesmo que ter um adesivo daqueles em seu carro. É implorar para que alguém te fale o que fazer.

Seu desejo é que vai te conduzir. Simples assim. Se você deseja algo, vai saber como buscar a realização disso para que seu Ego saia da crise.

MM

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Culpa de quem?

culpa

Ainda pegando o gancho anterior, a tal Crise, entendo que um dos maiores “problemas” da humanidade, o desejo, sabemos que somos movidos por ele e é o próprio desejo que nos causa os maiores sofrimentos e frustrações. Pior, desejamos muitas vezes o que não nos serve para nada em essência. Aqui falo de coisas materiais, sonhos de consumo e também dos desejos em ser.

Desejamos ser, muitas vezes o que não queremos em nosso íntimo. Algumas vezes para atender as expectativas da família, outras vezes para atender aos desejos que temos em ser reconhecidos, mas raramente desejamos ser o que queríamos ser de verdade. Nossa, que frase mais esdrúxula.

É preciso retomar alguns assuntos já tratados anteriormente, tipo aquela pergunta chata: Do que você realmente gosta? Eu, por exemplo, gosto do movimento. Talvez por isso eu goste tanto do mar. Sempre em movimento, sempre indo e vindo. Sei que parece até o artigo número um da constituição, direito de ir e vir, mas falando sério, eu adoro o mar, só que com um pequeno detalhe: Eu não suporto mar calmo. Eu gosto mesmo é de tempestade. Falei que era meio normal só às vezes, mas enfim, odeio aquelas praias com águas quase paradas. Talvez por isso eu nunca tenha procurado fazer nada muito “calmo” na vida.

Sempre quis coisas dinâmicas. Alguém pode até falar que escrever é algo parado, mas eu o desafio, tente sentar em frente a um computador e colocar as idéias em ordem… Não é fácil. E é dinâmico, pois o pensamento anda muito, muito mais depressa do que os dedos no teclado.

É óbvio que tive e tenho outras atividades, pois viver de vendas de livros não daria nem para comprar uma camisa. Usada… E em quase todas as minhas atividades durante a vida, procurei sempre algo que me motivasse, no sentido explicito da palavra, coisas que tivessem forte apelo emocional, em outras palavras, algo que causasse estresse mesmo. Um dia diferente do outro e coisas impossíveis de serem resolvidas. Era uma delícia. Uma delícia de verdade, pois isso sempre me fez sentir que estava vivo.

Era – e ainda sou um pouco – o cara que podia ser definido em qualquer projeto das minhas empresas como sendo o “como”. Quer saber como se faz isso? Jogue a bomba no colo do Marcelo. Desse jeito. O Santo das causas impossíveis. O cara que transforma problemas em pequenos obstáculos. Claro, sem falsa modéstia, muitas vezes o cara que transforma pequenos problemas em icebergs prontos para atingir o Titanic.

O problema é que nada do que eu fazia era meu sonho, pois deixei na “gaveta” o sonho de escrever até meus 43 anos. Mas mesmo assim, tinha uma vida dinâmica, nada burocrática, um dia diferente do outro até que um belo dia… a casa caiu. A crise financeira me pegou e não tinha mais saída, tive que, para sobreviver, ir trabalhar na empresa da família. Que faz o que exatamente? Vende burocracia. Apenas para definir em poucas palavras. Era como se eu ficasse o dia todo carimbando papéis em uma repartição pública. Nada a ver comigo, se é que me entendem.

Bom, o que uma mistura de burocracia, monotonia, crise financeira, e prostituição pode dar? Depressão, certo? Certo. Por que prostituição? Bom, porque troquei meu tempo por dinheiro e isso na minha louca cabeça nada mais é do que me prostituir. Mas sem sexo, o que agrava muito o problema. Com sexo pelo menos teria me divertido, não é?

Deixando as brincadeiras de lado, o que tem que ficar claro aqui é: Poderia apenas dizer que o universo conspirou para que eu tivesse que tomar a atitude que tomei.

Isto é o que quase todo mundo falaria. Eu não vou mentir para você. Eu errei mesmo e poderia ter evitado se tivesse sido mais ousado ou coerente com o que realmente gosto. Poderia ter procurado outra coisa, ou melhor, se pudesse voltar no tempo, poderia ter começado tudo de outra maneira. Isso se chama culpa. Minha culpa.

Em outras palavras, entrei na crise pela porta da frente e com tapete vermelho estendido. Quase como um tratamento Vip. E que crise! E pensar positivamente no meio dessa crise foi tão fácil como encontrar camelos na quinta Avenida em Nova Iorque.

Aceitei uma coisa pensando em melhorar o futuro, deixando de lado os desejos do passado e isso estragou o meu presente. Simples como dois mais dois são quatro.

Graças à Deus, aquele presente faz parte do passado.

MM

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