Erros certeiros

Vaso

Muitas vezes somos traídos por nós mesmos. Nosso “Sistema Operacional”, isso que chamo de Ego-Sistema nos engana e, sendo bonzinho, direi que engana algumas vezes, para não ser malvado e afirmar categoricamente que “ele” nos engana muitas vezes ao longo da vida.

Eu e meus dois “amigos” inseparáveis, o Id e o Superego vivemos em conflito. Isso se levarmos em consideração que eu seja mesmo o Ego, às vezes tenho dúvidas disso, mas deixa pra lá.

O conflito, como dizia, é constante. Sei que isso acontece também com você, caro leitor. Hoje vou falar sobre acertos, erros, escolhas e conseqüências.

É fato que em todas as relações interpessoais que temos, tentamos sempre acertar, fazer o melhor para nós, para o outro e também para a relação, seja ela de qual ordem for. O problema aparece quando detectamos um “desvio de rota” e tentamos colocar as coisas no rumo certo.

Diversas vezes erramos em nossa avaliação e em vez de usarmos as ferramentas certas que somente o Superego tem, afinal ele é o responsável pelo “certo ou errado”, acabamos ouvindo nosso Id que nos leva a cometer mais erros ainda.

O que quero dizer em uma frase é: Ao tentar consertar o que está ruim, acabamos estragando o que está bom.

Pois é, estou falando sobre isso hoje porque é o que está acontecendo nesse exato momento comigo. Ao tentar consertar, as coisas se estragaram – talvez definitivamente. E pior, isso aconteceu com as duas partes envolvidas.

Estragamos na tentativa de acertar… Parece uma coisa bem estúpida de se fazer, mas nós seres humanos somos tão estúpidos às vezes que dá muito medo. Um erro de avaliação, uma atitude – ou várias delas – e pronto, a conseqüência é irreversível.

Bem… nem tão irreversível assim, pois como disse no post anterior, podemos tudo, inclusive entender, perdoar, aceitar, relevar e talvez até mesmo reverter ou inverter a situação. O problema todo é o significado que damos às atitudes erradas.

Uma coisa leve para mim pode ser pesada para você e vice-versa. Somos mestres em avaliar de forma errada, somos mestres em dar significados pesados às coisas leves, mas o que importa nisso tudo não é o julgamento que farão os que estão de fora e sim a nossa avaliação, quem está mesmo dentro da “coisa”.

Não é fácil essa vida. Depois que as coisas se estragam fica mesmo muito difícil consertar. Por mais que se tente, o medo de erros futuros, o medo de tentativas erradas de se consertar problemas vai pairar sobre nossas mentes o tempo todo.

Viver com medo é completamente insano. Disse em meu livro Desconforme-se que tomar qualquer atitude sob o comando do medo é a pior coisa que se pode fazer. Medo de perder alguém não pode ser fator preponderante para permanecer com a pessoa. Medo de continuar e “dar uma chance” não vai te ajudar efetivamente a melhorar a situação.

Por outro lado, o medo é super importante, pois é ele que nos coloca os limites. Muito bem, isso é óbvio, me parece. Porém, por que é que não temos medo antes de enfiar os pés pelas mãos? Por que não ouvimos nosso Superego quando ele dá o sinal de alerta? Sim, ele sempre dá esse sinal no instante anterior e imediato da atitude errada que tomamos. Não ouvi-lo é um claro sinal de burrice ou até mesmo uma clara intenção de que estragar tudo é o melhor caminho para se resolver um problema até então pequeno.

Mas se bate o arrependimento, então a postura de estragar tudo não é a que foi levada em conta, portanto, ficamos apenas com a primeira opção: Burrice.

Resolver é possível? Sim, sempre, mas a que preço? Bem, depende das cartas que você tem nas mãos, pois não sabemos das cartas do outro jogador. Se você tem cartas boas, aposte pesado, mas nesse jogo da vida, principalmente da vida a dois, blefar é, sem sombra de dúvidas, a pior aposta que se pode fazer.

MM

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Publicado em Ego. 3 Comments »

3 Respostas to “Erros certeiros”

  1. Droryana Says:

    Acho que foi isso que eu fiz no final de uma semana de exaustivas reuniões…descumpri um compromisso com o superego e tive o prazer de retrucar…mostrar que o outro tava errado, tava vacilando, o outro reagiu…bati de frente…ganhei o que com isso??? Cometi uma burrice!
    E quanto mais eu tento colocar as coisas no rumo certo…vou desarrumando o que já tava ficando bom…e fiquei literalmente doente por isso. Sou burra?? Ou sou doida mesmo???

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  2. Anônimo Says:

    Absolutamente perfeita sua percepção. Impressiona como somos burros por não pensar nessas coisas todos os dias de nossas vidas. Bom ter você para nos alertar.
    Estou extasiada!!!
    Super beijo.
    Mariana

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  3. Gabriela Says:

    Olá MM,
    Ler seus textos nesse blog é como fazer um passeio sem roteiro definido pela nossa mente. Hoje você fala de erros certeiros e nós seres humanos somos mestres em errar tentando acertar. Caiu como uma luva para mim, passo por isso nesse instante e serviu para abrir minha mente e tentar rever algo que já havia decidido, talvez erroneamente.
    Marcelo, você é brilhante! Conhece como poucos a mente humana e fala dela com sabedoria, simplicidade e o mais bacana é que se coloca sem vergonha alguma em seus textos. Isso é o que nos encanta e o que cria essa admiração que temos por você. Falo por mim e por algumas amigas também leitoras suas.
    Brilhante, estupenda e sábia declaração: ao tentar consertar o que está ruim, acabamos estragando o que está bom.
    Isso soou como uma bomba, um sinal de alerta que me fez pensar em quantas vezes fiz isso em minha vida.
    Parabéns, Marcelo, você é genial.
    Feliz por ser sua leitora, mesmo que suas constatações aqui contidas me deixem triste as vezes. Aliás, você pareceu triste e isso também me deixou triste mesmo sem conhecê-lo. A vontade é de poder fazer algo por ti.
    Beijos, se cuida porque precisamos de você.
    Gabi

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