Cheio ou vazio?

Copo

Movimento e indignação são palavras que mexem demais comigo. Estou sempre em movimento e observando também o movimento das coisas e pessoas. Para mim, o significado da palavra movimento é mudança. Parece muito nítido que se uma coisa, pessoa, ou pensamento se move, ele não estará mais no mesmo lugar daqui a um tempo, assim sendo, mudou.

Quem está em constante mudança ou querendo estar, leva algumas pessoas próximas a julgarem essa maneira de agir, como uma eterna insatisfação, isso na melhor das hipóteses. Na pior delas, como alguém que não sabe o que quer.

Se isso também for uma característica sua, sabe exatamente do que estou falando. Nos julgam porque simplesmente não se olham no espelho. Seres humanos são assim mesmo, preferem sempre julgar os outros, porque assim, acham, ficam livres de olharem para as próprias atitudes. Por outro lado, existem seres humanos que só olham para o próprio umbigo. Ego-sistema é assim mesmo.

Muitas pessoas que conheço falam sobre escolhas alheias mais ou menos desse jeito: Se fosse eu, não teria feito dessa forma. Bom, me parece lógico. Se as realidades são diferentes, se cada um de nós dá significados diferentes para absolutamente todas as coisas, é fácil concluir que faríamos tudo diferente.

Li um livro muito bom de um monge budista que passa alguns ensinamentos sobre a filosofia de vida deles. Para o grande mestre Buda, “nada é em si alguma coisa e sim o que queremos que ela seja”. Dessa maneira, aquele famoso pensamento motivacional sobre um copo estar meio cheio ou meio vazio, pode ser simplesmente um copo com alguma coisa dentro. Para a filosofia de vida budista, um copo não é nada em si mesmo. Ele se tornará algo na medida em que nós dermos um significado a ele.

Para mim, se for copo com leite, nada significará, pois odeio leite. Tanto faz se está meio cheio ou meio vazio, eu não vou me importar. Se for de coca-cola, talvez esteja meio vazio porque adoro coca-cola. E assim por diante. O que querem dizer com esse pensamento é que os otimistas o enxergam como meio cheio e os pessimistas como meio vazio. Eu não me importo com a quantidade de líquido dentro do copo para me motivar e sim com o que está dentro dele. Em suma, cada um enxerga o que lhe convém.

Sem falar que se um desses gurus me perguntasse algo sobre o copo, eu devolveria duas perguntas. Quero saber o que tem no copo, e em que situação me “deparei” com o copo. Se estiver num deserto, meio dopo de água não matará minha sede, mas talvez me dê mais umas horas de vida até que encontre um oásis com água potável e lindas odaliscas dançando. Se for num jantar a dois, meio copo de vinho pode ser suficiente para que eu me solte e dê a cantada que minha parceira esteja esperando, em suma, o mais importante é o que tem no copo e em que situação eu me encontro. Se não estiver com sede, meio copo de qualquer coisa não ajuda em nada. Seria uma visão morna. Tanto faz se estiver cheio ou vazio.

Por isso é preciso tomar muito cuidado com essas cartilhas e pensamentos motivacionais, porque o que serve para mim pode não servir para você. Os gurus da auto-ajuda generalizam de uma maneira tal, que todas as suas teorias mágicas parecem servir a todos os indivíduos. Só se esquecem dessa última palavrinha aí: Indivíduos.

MM

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Ambição x Sonhos

Ovo

Por muitos e muitos anos, achei que fosse um cara ambicioso. Vez ou outra me pegava apenas sonhando. Por mais parecidos que sejam os conceitos, sempre existem grandes diferenças. Em alguns casos, como esse, uma coisa pode levar à outra, mas só pode, não é sempre que isso ocorre.

Ambição na visão dos mais certinhos não é algo bom, eles confundem com ganância, isso sim uma coisa péssima. Ambição é fundamental para o desenvolvimento. Não falo apenas em relação às coisas, falo também em desenvolvimento humano.

Claro que para se ambicionar algo, é preciso que exista um sonho. A partir do momento em que se detecta um sonho, temos que agir ambiciosamente para conquistá-lo. O problema todo está quando entramos na famosa crise existencial. Os sonhos vão deixando de existir e por conseqüência a ambição desaparece.

Muitas pessoas apenas sonham, outras apenas ambicionam algo sem ter o sonho como base. Apenas querem, sem saber exatamente o que. É a ambição pela ambição, sem fundamento algum, provavelmente o primeiro passo em direção à ganância, conseguir algo sem medir as conseqüências.

Os sonhadores apenas sonham e esperam que haja alguma conspiração do universo a seu favor, coisa que sabemos não existir. Eles sonham, chegam até a fazer algum planejamento, mas pecam na hora da execução.

Como sabemos, todo mundo sonha com alguma coisa e até mesmo tem a ambição impulsionando na direção do objetivo a ser conquistado, mas muitas vezes, a tal realidade joga pedras no caminho que obrigam a mudar o rumo, ou obrigam a ajustar o planejamento inicial. Essas dificuldades também impulsionam, só que de forma negativa, empurram para o lado da desistência. Deixar isso acontecer por duas ou três vezes é o suficiente para que abortemos os sonhos pouco depois que eles nasçam.

Como é que se muda isso? Não é simples e nem gostoso dar murros em ponta de faca, dirão alguns. Verdade, concordo plenamente, porém, é necessário. Por duas razões. Primeiro porque é importante para o desenvolvimento da agilidade de raciocínio, algumas, senão todas as coisas que aprendemos, são feitas através do sistema: tentativa e erro. Como ratos de laboratório. Dar um ou outro soco na ponta de uma faca nos ensina que algo está precisando de ajuste.

Como tudo que se cria nesse mundo não deve ter dado certo de primeira, fica óbvio a constatação de que errar e ajustar faz parte do processo de execução e desenvolvimento de qualquer projeto.

O segundo motivo é que justamente quando um projeto não dá certo logo de cara cria-se na mente uma resistência que destrói parte do sonho. Pensamos que o sonho está errado e boicotamos muitas vezes uma idéia que poderia nos fazer bem no futuro. Para se destruir ou desconstruir uma crença, é preciso antes identificá-la. Além disso, sou da opinião que somos os maiores sabotadores de nós mesmos. Por quê?

Porque não nos ensinam a perder. Não consta nos manuais que perder fará parte do processo chamado vida. Somos ensinados a lidar apenas com a vitória, jamais com a derrota. O sucesso é a meta a ser atingida, quase sempre ligado ao sucesso financeiro, ao reconhecimento, etc e tal. O que mede o sucesso para a sociedade como um todo é: Fazer coisas que os outros notem.

Eu acho que isso é conseqüência da satisfação pessoal. Quem tem que ficar satisfeito é a própria pessoa e não os outros. Não se mede sucesso de acordo com a percepção dos outros. Sucesso se mede com o próprio julgamento, que é o mais rigoroso que existe.

Se nos deixarmos levar pelo julgamento dos outros, estaremos aceitando toda a contaminação que esse julgamento carrega. Sabemos que seres humanos não são os melhores habitantes desse planeta, seus julgamentos sempre podem carregar inveja, interesse e tantas outras coisas negativas que pode e vão nos atrapalhar caso dermos atenção a eles.

Você pode desenvolver algo que sonhou e que sua ambição o tenha movido na busca da realização e isso ser um enorme sucesso na sua visão – que é a que interessa – mas que pode esbarrar em pessoas que não vão valorizar sua idéia pelo simples fato de que aquilo não fora desenvolvido pela pessoa que o julga.

Normalmente vemos as pessoas falarem coisas do tipo: Por que é que não fui eu quem fez aquilo…

Ai está embutido uma ponta de inveja, não parece? Pois é. O que eu pergunto quando ouço algo nesse sentido é: Por que não tenta fazer algo que faça a diferença, algo que possa se orgulhar?

Isso mexe com as pessoas. Como sempre digo, não estou aqui para ensinar nada e muito menos para responder alguma pergunta, minha missão é levantar dúvidas.

Disse acima que isso mexe com as pessoas porque todo mundo nessa vida se acha capaz de qualquer coisa. Não são. Mas eles não sabem disso. As pessoas têm muitas capacidades, sabemos disso, mas será que todo mundo têm a consciência de que há limites?

Não é qualquer um que pode fazer qualquer coisa. É preciso buscar dentro de si a vocação, o desejo, a paixão. É preciso que detecte o que realmente quer e faça o planejamento, de preferência sabendo que vai encontrar obstáculos pelo caminho. E mesmo planejando tudo, muita coisa pode escapar a por isso é preciso saber como agir quando isso aparecer. Desistir é o mesmo que jogar no lixo o sonho, o desejo. É o mesmo que constatar que sua ambição era descabida.

Errado desistir, tanto quanto ambicionar algo que não tenha capacidade alguma de realizar. Por isso é que o auto-conhecimento é tão importante. Não pense que se conhece bem, raras são as pessoas que querem se descobrir.

Ambição e sonho são duas coisas muito parecidas e muito distintas, depende do prisma em que as vemos. Eu sempre tento procurar as diferenças entre as coisas, os conceitos, muitas vezes procuro tanto que acabo descobrindo que elas podem ser simplesmente complementares.

É o que acho sobre esse tema. Ambição é complemento do sonho, assim como o sonho pode ser complemento da ambição. A verdade é que um não vive sem o outro.

MM

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Jogando Xadrez

Xadrez - Espelho

Devo ter comentado, se não comentei pensei, que a nossa vida é basicamente um jogo de xadrez. Temos que prestar atenção em cada detalhe, em cada movimento das pessoas e não só das pessoas, mas de tudo o que acontece.

Preciso falar que nosso movimento é o mais importante? Ok, eu falo: Os nossos movimentos são os mais importantes.

Às vezes nos sentimos estranhos – eu pelo menos me sinto – quando percebo que estou “jogando” contra mim mesmo. É coisa de nossa mente, um lado quer se movimentar para o norte e o outro insiste em nos levar para o sul. Como é que se antecipa isso, ou melhor, como é que se lida com esses conflitos internos?

Como já sabemos, não existe uma só formula que seja definitiva – isso no que diz respeito às outras pessoas – mas sinceramente, será mesmo que não podemos criar uma fórmula que sirva pelo menos a nós mesmos?

O que quero dizer é que se usarmos nossas experiências, nossos sucessos e fracassos, nossa visão, nossa percepção e nossos significados, será que não conseguimos formar um padrão, algo que possamos usar sempre que necessário?

Pois é, acredito que sim e… vou um pouco além, acredito que temos que fazer isso. A prova é que já fazemos esse tipo de coisa quando lidamos com o outro. De uma certa forma, aprendemos como as pessoas com quem nos relacionamos “funciona” e usamos isso para manter nossas relações, bem como quando precisamos agredir ou ofender, sabemos exatamente onde atacar, não é verdade?

Assim sendo, deveríamos saber bem lidar com nossas mentes, não? Mas… como sempre digo, na prática a teoria é outra. Nos agredimos e até mesmo violentamos sem saber o que estamos fazendo, nos damos prazer e mal damos valor às pequenas coisas que geram isso, enfim, quando o “jogo” é contra nós, poucas vezes levamos em conta o que realmente estamos fazendo.

Pois eu digo que somos seres fracos. Muitas vezes sabemos como lidar com o próximo, mas não sabemos como lidar com nós mesmos. Por que?

Bem, funciona assim: se você joga xadrez com um adversário, você tentará descobrir o que ele pensa, como age, como joga. Se formos abrir um tabuleiro e jogar esse jogo tendo nós mesmos como adversários, já sabemos o que o “outro” eu fará. Não dá para tentar surpreender, pois quem está do outro lado é exatamente a mesma pessoa.

Confuso, eu sei, mas deveríamos tentar nos surpreender sempre. Digamos que surpreender seja impossível, eu mudo a frase para: Experimentar. Sim, deveríamos nos testar, permitir, experimentar. Tentar outro caminho quebrando os paradigmas que formamos ao longo e nossa existência.

Fazer algo diferente assusta. O novo sempre assusta. Mudar certos conceitos envolve uma boa dose de coragem. Sim, é preciso muita coragem para quebrar crenças que formulamos ao longo da vida, mas repito, é absolutamente necessário se você quer de fato ter um bom conhecimento de si mesmo.

Hoje em dia tenho passado por essas experiências, estou tentando experimentar um outro MM que sequer sabia que poderia existir. Mas ele existe e cá entre nós, esse “ele” me surpreendeu.

Aceitar novos desafios não é fácil, surpreender a quem tanto nos conhece é tão ou mais difícil do que surpreender o outro. Mas uma coisa eu te falo com propriedade: Tem sido uma experiência e tanto descobrir outras facetas de mim mesmo. Parece que a gente cresce um bocado.

MM

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Fogo amigo

Tiro

É fato que nossos Egos nos enganam, acho que todo mundo sabe disso. Tanto pode ser obra do Superego quanto do Id. O que eu não sei é de “quem” é a culpa por um sofrimento que vem de uma coisa chamada expectativa.

Normalmente chamamos de frustração, mas também pode ser decepção, como falei ontem, depende do significado que você der ao que te causa algum mal. Eu sempre disse e escrevi que tento não permitir ser tomado por qualquer expectativa. Falei em tentativa porque sei que é impossível viver sem nenhuma, mas devo morrer tentando e confesso uma coisa aqui para você: A cada dia que passa, as expectativas vão diminuindo, afinal, gato escaldado tem medo de água fria.

Assim sendo, vou falar hoje sobre expectativa e frustração, talvez até decepção. Quando nos relacionamos com alguém, seja qual tipo de relação for, criamos, sei lá por que, alguma expectativa em relação à pessoa. Normalmente o início de qualquer relação é uma coisa boa, portanto, a expectativa é sempre de receber o melhor do outro. Os mais afoitos, se doam antes, pensam que vão receber depois e não se importam. Já os mais desconfiados, recebem antes e depois doam.

Aí você se disponibiliza para a pessoa e conforme o tempo vai passando, uma ligação de confiança vai se estabelecendo, se solidificando e a entrega é cada vez maior. Normal quando a coisa é uma via de mão dupla, mas… nem sempre é assim. Poderia até afirmar que é quase impossível que uma relação decepcione ou frustre logo em seu início, quando ainda estamos naquela fase de esperar o melhor, mas nos preparar para o pior.

O fato é que mais cedo ou mais tarde, quase todo mundo decepciona todo mundo. Quando escrevo isso, me refiro também a nós, ok? Senão fica parecendo que, eu aqui escrevendo e você aí lendo, nunca decepcionamos ninguém.

Isto posto, queria de fato descobrir por que é que não ficamos naquele estado de alerta do começo por todo tempo? Quem nos libera para seguir em frente sem medo? Id ou Superego? Ah meu amigo Sigmund Freud, será que você explicou isso antes de morrer? Pergunto porque parece que não aprendemos nunca a nos blindar.

Por mais que existam pessoas que estejam sempre em estado de atenção, até mesmo essas se decepcionam, pois nunca esperam algo ruim vindo de alguém que, supostamente deveria estar no mesmo barco e mais, remando para o mesmo lado. É o que chamam por aí de “fogo amigo”.

Como é que se previne o tal fogo amigo? Existe uma fórmula? Óbvio que não, afinal de contas, quem é que pode imaginar que nosso “amigo” é quem vai nos dar o tiro? Mas o fato é que eles atiram, atiram para matar e com armas de grosso calibre.

Falo de nossos pais, filhos, amigos, namorados, maridos e esposas, amantes, enfim, falo de todo mundo que esteja em qualquer tipo de relação. A verdade, caros leitores, é uma só: Todos nós somos cruéis ao extremo e essa crueldade é mais presente nas relações mais próximas. Como eu costumo dizer, a gente ferra com o amigo porque o inimigo não deixa.

A conclusão lógica dessa mente que vos escreve é óbvia: Deveríamos ter dentro de nós Ids ou Superegos inimigos, pois assim eles nos manteriam longe do alcance dessas balas.

É triste ver amigos decepcionando, amores da vida mentindo, pais machucando, famílias se deteriorando e tudo isso em nome de que? De absolutamente nada. É a decepção pela decepção, sem nenhum sentido lógico a não ser se resolvermos aqui acreditar que a crueldade impera, e que nossos mecanismos de defesa não nos defendem eficazmente.

A verdade é uma só: Todos mentem. Inclusive nossos Ids. Inclusive nossos Superegos.

MM

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Erros certeiros

Vaso

Muitas vezes somos traídos por nós mesmos. Nosso “Sistema Operacional”, isso que chamo de Ego-Sistema nos engana e, sendo bonzinho, direi que engana algumas vezes, para não ser malvado e afirmar categoricamente que “ele” nos engana muitas vezes ao longo da vida.

Eu e meus dois “amigos” inseparáveis, o Id e o Superego vivemos em conflito. Isso se levarmos em consideração que eu seja mesmo o Ego, às vezes tenho dúvidas disso, mas deixa pra lá.

O conflito, como dizia, é constante. Sei que isso acontece também com você, caro leitor. Hoje vou falar sobre acertos, erros, escolhas e conseqüências.

É fato que em todas as relações interpessoais que temos, tentamos sempre acertar, fazer o melhor para nós, para o outro e também para a relação, seja ela de qual ordem for. O problema aparece quando detectamos um “desvio de rota” e tentamos colocar as coisas no rumo certo.

Diversas vezes erramos em nossa avaliação e em vez de usarmos as ferramentas certas que somente o Superego tem, afinal ele é o responsável pelo “certo ou errado”, acabamos ouvindo nosso Id que nos leva a cometer mais erros ainda.

O que quero dizer em uma frase é: Ao tentar consertar o que está ruim, acabamos estragando o que está bom.

Pois é, estou falando sobre isso hoje porque é o que está acontecendo nesse exato momento comigo. Ao tentar consertar, as coisas se estragaram – talvez definitivamente. E pior, isso aconteceu com as duas partes envolvidas.

Estragamos na tentativa de acertar… Parece uma coisa bem estúpida de se fazer, mas nós seres humanos somos tão estúpidos às vezes que dá muito medo. Um erro de avaliação, uma atitude – ou várias delas – e pronto, a conseqüência é irreversível.

Bem… nem tão irreversível assim, pois como disse no post anterior, podemos tudo, inclusive entender, perdoar, aceitar, relevar e talvez até mesmo reverter ou inverter a situação. O problema todo é o significado que damos às atitudes erradas.

Uma coisa leve para mim pode ser pesada para você e vice-versa. Somos mestres em avaliar de forma errada, somos mestres em dar significados pesados às coisas leves, mas o que importa nisso tudo não é o julgamento que farão os que estão de fora e sim a nossa avaliação, quem está mesmo dentro da “coisa”.

Não é fácil essa vida. Depois que as coisas se estragam fica mesmo muito difícil consertar. Por mais que se tente, o medo de erros futuros, o medo de tentativas erradas de se consertar problemas vai pairar sobre nossas mentes o tempo todo.

Viver com medo é completamente insano. Disse em meu livro Desconforme-se que tomar qualquer atitude sob o comando do medo é a pior coisa que se pode fazer. Medo de perder alguém não pode ser fator preponderante para permanecer com a pessoa. Medo de continuar e “dar uma chance” não vai te ajudar efetivamente a melhorar a situação.

Por outro lado, o medo é super importante, pois é ele que nos coloca os limites. Muito bem, isso é óbvio, me parece. Porém, por que é que não temos medo antes de enfiar os pés pelas mãos? Por que não ouvimos nosso Superego quando ele dá o sinal de alerta? Sim, ele sempre dá esse sinal no instante anterior e imediato da atitude errada que tomamos. Não ouvi-lo é um claro sinal de burrice ou até mesmo uma clara intenção de que estragar tudo é o melhor caminho para se resolver um problema até então pequeno.

Mas se bate o arrependimento, então a postura de estragar tudo não é a que foi levada em conta, portanto, ficamos apenas com a primeira opção: Burrice.

Resolver é possível? Sim, sempre, mas a que preço? Bem, depende das cartas que você tem nas mãos, pois não sabemos das cartas do outro jogador. Se você tem cartas boas, aposte pesado, mas nesse jogo da vida, principalmente da vida a dois, blefar é, sem sombra de dúvidas, a pior aposta que se pode fazer.

MM

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