Podemos “tudo”

Poder

Esse assunto do post anterior me deixa muito indignado. Não buscar os próprios interesses em nome sabe-se lá de que é mesmo um absurdo. Mas é claro que esbarra em cobranças, outro problema difícil de lidar.

Somos cobrados desde pequenos. E quando crescemos, aumentamos as cobranças porque passamos a nos cobrar também. Só queria entender por que é que, uma vez que somos indivíduos, não podemos individualizar a sociedade.

Mais ou menos como dizer uma frase que soa mal educada, mas que é muito verdadeira e poderia ser vista como algo bem sincero: Quem é que tem alguma coisa a ver com nossa vida?

A resposta para alguns que vivem em função dos outros é: Muita gente. Para outros “alguns” mais radicais é: Ninguém. A minha resposta para essa pergunta é: Quem eu permitir que tenha.

Exatamente isso. Quem tem alguma coisa a ver com minha vida é quem eu deixo. E quem são essas pessoas? Serão escolhidas de acordo com o que eu receber em troca. Esquece o dinheiro, falo de amor, carinho, amizade, alguma coisa resumida como interlocução. Alguém que nos ouça e que dê eco. O que não podemos é permitir cobranças de pessoas que não julgamos importantes.

O engraçado disso é que todo mundo que conhecemos se acha importante em nossas vidas a ponto de nos cobrar certas atitudes. Isso ocorre quando não colocamos limites, lembra que falei em outro texto? É preciso criar uma cerca e deixar claro que só poderão atravessá-la quem você deixar. Processo complicado quando se junta isso com o medo da não aceitação.

Em nome dessa bobagem, sucumbimos e permitimos muitas vezes que todo mundo dê palpites e nos cobre alguma coisa. Como é difícil conciliar o que somos, o que queremos ser, o que os outros pensam que somos e o que os outros querem que sejamos. Acho que vou enlouquecer. Cadê o Freud quando a gente mais precisa dele?

Pensando melhor, talvez não seja assim tão complicado conciliar isso. Basta pensar em cada coisa isoladamente, usando o critério de eliminação. O que querem que sejamos nem vou levar em consideração, afinal, ninguém tem o direito de escolher o nosso destino. O que pensam que somos também é problema de cada um, pois cada um enxerga o que quer e como quer, assim sendo, o que pensam de nós pode ou não ser a verdade. Não levaremos em conta.

O que é importante é o que somos e o que queremos ser. Daí sai as maiores e terríveis cobranças que existem, a que fazemos a nós mesmos.

O que somos? Pergunta complicada. O que queremos ser? Pergunta tão ou mais complicada. Bem, o que somos parece fácil de ver, mas não é. Melhor mudar, ou melhor ainda, juntar as duas perguntas numa só: Somos quem queremos ser? Nossa, agora foi uma estocada no fígado.

Quase sempre chegaremos à conclusão de que sim, somos quem queremos ser, mas já adianto que é mentira, uma enganação. Se fosse verdade, não estaríamos preocupados em justificar para nós mesmos todos os dias o que fazemos e o que fizemos com nossas próprias vidas.

Por que nos cobramos tanto se somos exatamente o que queríamos ser? Se você se cobra é porque de alguma forma tem que justificar suas atitudes, provar para você mesmo que chegou onde está porque quis isso. Não digo que quis, mas que permitiu. Há muita diferença.

Ao abandonarmos nossos sonhos, nossa vocação natural ou nossa essência, dê o nome que quiser, devemos ou deveríamos saber que as cobranças virão de forma devastadora em algum momento da vida. Pode estar passando por isso agora, pode já ter passado ou pode ainda não ter vivido isso, mas só ainda, porque vai viver.

Felizmente não é algo irremediável. Quando alguém cobra uma dívida fazemos o que? Pagamos. Pode ser em suaves prestações ou à vista, mas não teremos desconto. A dívida é grande, mas “pagável”.

Saiba, é necessário pagar e também possível de ser feito. Não venha com desculpinhas de que é tarde demais porque não cola. Mesmo que já tenha passado da idade para iniciar ou retomar algum projeto, tenha na cabeça de que a felicidade está na busca e não na conquista. Se pensar dessa maneira, vai perceber que iniciar algo é que vai te manter em estado de felicidade.

Não devemos nos preocupar com a conclusão. Não devemos nos cobrar pelo tempo perdido, apenas começar. Até porque podemos descobrir durante o processo que “não era bem o que queria” e mudar os sonhos ou o foco não é proibido por lei alguma. Não crie regras que não existem, não crie crenças. Você, eu, enfim, todos nós, podemos tudo. É simples assim.

E essa é a única verdade absoluta que existe: Podemos tudo! E não estou dizendo isso porque tem uma força interior ou qualquer outra bobagem dos manuais de auto-ajuda. Não é isso. Digo que podemos tudo porque somos os únicos que temos esse direito, ainda mais e tão somente, relacionado à nossa vida.

Continuo a falar disso semana qu vem…

MM

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Publicado em Ego. 2 Comments »

2 Respostas to “Podemos “tudo””

  1. Calliandra Says:

    opa!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    tô rindo de alegre.
    uhuu…podemos tudo!
    Vou começar desobedecendo a lei da gravidade…
    e sabe que já houve quem dissesse que eu estou parecendo mais jovem? Acredite, desconformar-me foi rejuvenecedor na mente…na alma…no corpo…na vida. E não tem nem dois meses que comecei!!!!
    Eu posso tuuudooo!!!!
    Tô bêbada…de sono…rs.
    Não queria ir dormir, mas vou…tchau Marcelo Mello, tchau Ego-sistema. Tchau leitores e escritores. Fui.

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  2. Anônimo Says:

    ” Temos o direito e devemos SEMPRE definir, escolher o que é melhor para nossas VIDAS !!!!

    Quem entra ou não nela…tb…

    Afinal podemos tudo quando relacionado à nossa VIDA….

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