O tempo voa…

Tempo voa

Agora que já falamos de interesses que as pessoas têm, mas não revelam, vamos falar de interesses que as pessoas têm, revelam, mas não seguem. Parece louco? Sei disso. É louco mesmo, afinal, uma vez escutei uma psicóloga dizer que todos nós somos, de uma certa forma, loucos. Alguns mais, outros menos, mas a loucura está presente em todos. Além disso, uma outra me disse que “todos nós temos algo incurável em nossas mentes”. Bonito isso, mas dói quando falam isso diretamente para você.

Como falei outro dia, todo ser humano tem um talento. Isso é óbvio demais, e por mais depressiva que seja a pessoa, por mais que ela esteja se achando um “nada”, ela também tem um talento. Algum interesse na vida todos tem. Essa palavra dá mesmo margem para diversos pensamentos e significados. Uma mistura complicada. Há o interesse natural, tipo alguma coisa despertar o interesse e há o interesse no sentido de se fazer alguma coisa em troca de algo.

É aí justamente que as coisas se complicam. Digamos que você tenha um interesse natural por coisas da saúde. Sabe aquela gente que já nasce médico? Pois é, digamos que seja assim. A vida, ou melhor, seus outros interesses te levaram a estudar, por exemplo, economia. Você fez vestibular para medicina, mas não entrou e como segunda opção, colocou economia no formulário. Algo nada parecido com sua vocação, porém, para prestar contas à família, você tinha que entrar em alguma faculdade. Fez economia até o fim e hoje é um excelente executivo de uma empresa na área de finanças. Qual o resultado disso tudo?

Você não é quem gostaria de ser. Seu interesse em atender os anseios de seus pais ou o seu interesse financeiro o levou a cursar alguma coisa apenas pelo fato de “não ficar parado”, para usar um termo que pós adolescentes adoram. O tempo foi passando, você se formou, arrumou um bom emprego, ganha bem e se acomodou. Perdeu o interesse pela área da saúde? Não, claro que não. Deve ter se tornado um hipocondríaco daqueles… Um chato que pensa que é médico e que tem a solução para todos os males de seus amigos e familiares. Um leitor inveterado de bulas.

Tirando a brincadeira, nem deve mais pensar em estudar medicina, pois o processo é tão natural na sua cabeça que receber uma boa remuneração mensal elimina todas as frustrações. Isso só na sua cabeça.

Quer ver como tudo isso é uma loucura? Bom, vamos lá. Você se tornou isso aí justamente por causa de seus interesses. Antes era interessado em uma coisa e com o passar do tempo seus interesses o levaram a se interessar em se vender e “trocar” de interesses. Odeio meus textos, eu brinco com as palavras e me confundo todo.

Tentando explicar: Você, que antes tinha um interesse, abriu mão dele por causa do interesse de seus pais em que você fizesse uma faculdade. Você, por algum motivo caiu nessa armadilha. Fez a escolha errada abrindo mão de seus verdadeiros e íntimos interesses. Durante o processo, não pensou no futuro e essa sua nova carreira, como acabou sendo bem sucedida, serviu de alívio. Diminuiu a culpa que poderia sentir por não ter escolhido e optado pelos verdadeiros interesses. E nem estou tocando no assunto grana, mas posso falar se preferir: Quando viu que sua nova profissão poderia lhe trazer alguma compensação financeira, aí deixou de lado mesmo sua vocação natural.

Em nome de que? Um carro legal, boas roupas e bons restaurantes? Não que isso seja ruim, mas não parece que se vendeu por muito pouco? E quem é que disse que como médico não poderia ter conseguido tudo isso também? Nunca vai saber, não é mesmo? O que passa na sua cabeça é: Como consegui tudo isso, não me arrependo.

O que é necessário e até mesmo vital a ser buscado é o auto-conhecimento, coisa que não vemos muito. Uma vez, radicalmente falando, cheguei mesmo a pensar que as pessoas não querem se conhecer porque são desinteressantes. É triste constatar uma coisa dessas, mas é a verdade. Não que as pessoas sejam desinteressantes, mas talvez não tentem se descobrir por acharem em algum momento que possam ser pessoas comuns.

Ninguém quer ser comum e todos, absolutamente todos têm problemas com a auto-estima. Por mais feliz que a pessoa seja ou possa parecer, sempre existe uma pontinha de desconfiança em relação a isso.

Uma necessidade de ser aceito que transcende qualquer limite aceitável de conduta. Raramente fazemos coisas por nós mesmos, quase sempre é para termos algum tipo de aprovação dos outros.

O tempo passa depressa e num determinado momento da vida, veremos que deixamos de lado o que realmente nos interessa em troca desse reconhecimento. É realmente um absurdo que façamos isso com nossas próprias vidas. Isso destrói o Ego e não o satisfaz como pode parecer num primeiro momento quando somos aceitos pelos outros. Um absurdo não percebermos isso a tempo de poder fazer algo que realmente importe para nós, antes de mais nada.

MM

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Publicado em Ego. 3 Comments »

3 Respostas to “O tempo voa…”

  1. Calliandra Says:

    E pra fruto pêco só tem um bom destino…vai apodrecer, amolecer, empretecer, feder, misturar-se com a terra e somente depois disso poderá vir a nutrir novamente uma árvore…encontrar um novo “interesse”, um novo caminho pela seiva bruta, subir uns oitenta metros, vencendo a gravidade, transformar-se e somente então contribuir para uma nova flor…a quem seja permitido frutificar e reproduzir.
    Ai ai…boa noite ou bom dia. Como eu ainda estou apodrecendo, vou dormir que amanhã (hoje) é dia de trabalhar pra o sistema “bruto”.

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  2. Calliandra Says:

    iiiiiii…concordo com tudo.
    Aprendi uma gíria nova: funça. Se refere ao funcionário que fica fuçando nada com coisa nenhuma e faz de conta que trabalha. Todo mundo acredita e ninguém dá trabalho a ele…afinal de contas…está sempre ocupado.
    Decididamente não tenho interesse em ser “funça” e se um dia for…estarei me vendendo pelo dinheiro…
    Epa!
    E o que é pior…ser funça ou oferecer sua competência técnica para alguém ou alguma causa que não te mereça os serviços?
    Talvez não exista um pior do que o outro.
    Nenhum dos dois “é o que gostaria de ser”. São (somos) frustrados e não sabem mais o que realmente importa para si mesmos. Isso ficou esquecido, morrido como um fruto pêco.

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  3. Danilo vieira Says:

    Infelizmente temos a necessidade de sermos conformistas!! é uma droga…mas nos acostumamos com o que é ruim..e por que?? porque é muito mais fácil se acostumar com o que é ruim do que tentar fazer alguma coisa para mudar. Por isso existem tantas pessoas com quase todos objetivos materiais alcançados, porém vazios.
    E realmente o tempo passa depressa!! quando se dão conta já não há mais tempo para recuperar o que poderia ter sido diferente!!
    Também a necessidade de sermos aceitos pelos que nos rodeiam e fazemos de tudo mesmo que inconsciente para sermos destaque, mesmo que essas coisas não nos agradem.
    Constatação triste, mas real

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