Interesses

Ajuda

Alguém aí conhece uma só pessoa na terra que faça algo sem nenhum tipo de interesse? Eu não conheço e se você falar que conhece, já adianto que não vou acreditar. Isso não existe. O que, aliás, pode ser visto com uma coisa ruim, mas está longe disso. O interesse é uma das engrenagens que faz o mundo andar. Viu só como são as pessoas? Num primeiro momento você já achou que vinha algo pesado, no segundo momento já deu uma paradinha para pensar e percebeu que sem interesse, o mundo não seria o mundo como o conhecemos. Mas é claro que não vou deixar de falar verdades sobre interesses e interesseiros.

Darei também uma visão mais otimista sobre interesse, porque sem ele, teríamos parado no tempo das cavernas.

Espero que não seja hipócrita em achar que os benevolentes ajudam o próximo pelo simples fato de serem bonzinhos. Sei que existe gente boa no mundo, mas sempre há algum tipo de interesse por trás. Ou é pelo reconhecimento público ou dos amigos – o que inflaria o próprio Ego – ou é para aliviar a culpa de ter mais dinheiro do que os outros.

Portanto, ninguém nesse mundo é bonzinho o suficiente para fazer alguma coisa sem que haja algum interesse embutido na boa ação. E o que há de errado com isso? Absolutamente nada. As pessoas é que seguem a regra que diz que admitir isso é errado. Eu acho que admitir é normal. Até porque, você pode ajudar alguém de forma escondida e só você e o “ajudado” saberem, mas de uma certa forma, você teve um interesse: Em ficar bem consigo mesmo. Viu? Normal demais.

Na maioria das vezes o interesse se traduz e o julgamento aparece por causa do dinheiro. Para ser bem prático e objetivo, podemos tomar como exemplo algumas formas de interesse que vão ilustrar bem o que estou querendo dizer.

Digamos que temos uma menina, na casa dos 26 anos e que esteja entrando na fase da síndrome da solteirona e por conta disso esteja planejando se casar. Ela é bem nascida e foi criada, como posso dizer, com leite tipo A. Sabe como? Exato, uma patricinha. Claro que o círculo de amigos dela é do mesmo nível, então, natural que ela encontre um marido desse meio. Por mais que ela seja uma pessoa do tipo, “dinheiro não importa e sim o amor”, ela jamais se “apaixonaria” pelo porteiro do clube e sim por um dos sócios. Isso quer dizer que ela se casaria por dinheiro? Não, claro que não. Quer dizer, não só pelo dinheiro, mas também por ele.

Alguém mais “psicologicamente correto” – adoro inventar termos – pode falar que é porque ela não conhece o porteiro do clube e só por isso não se interessou por ele… Bom, aí entra uma outra questão que pode parecer bem mais preconceituosa, mas não é, só parece. Ela passa todos os dias pela portaria do clube e por isso, tem contato com o porteiro. Então porque é que ela nunca o olhou com outros olhos? Porque ela é sócia e ele o porteiro. Nada que chegue perto de uma discriminação, não é isso. Apenas que no mundo real, sócios falam bom dia e boa noite a porteiros de clubes e não os convidam para sentar à mesa. O inverso é exatamente igual. Um porteiro vai embora de ônibus e não de carona com o dono da Mercedes.

Por essas e outras, chegamos à conclusão de que a chance de uma patricinha se casar com um porteiro de clube são bem perto de zero. E ela se casar com o dono da Mercedes também não a transforma em uma interesseira. Mas estamos falando de alguém que também está longe de ser burra. Entre ir de ônibus Mercedes e um automóvel de luxo dessa marca, todo mundo, sem exceção, optaria pela segunda. A gente pensa nisso todos os dias, mas em sociedade, poucos admitem tais pensamentos. Entre escolher o amor da sua vida pobre ou rico, sempre deve se optar em “amar” quem tem mais dinheiro, afinal, todos os seres humanos preferem manter ou melhorar seu padrão de vida a diminuí-lo. Isso faz da pessoa buscar algo de seu interesse, porém repito, não transforma ninguém em interesseiro.

O que estou afirmando é que o interesse está presente na vida de todos o tempo todo. Claro que há os interesseiros inescrupulosos, mas o que escrevo aqui é para pessoas normais e não para essa gente. Ter interesse, ou melhor, buscar coisas do nosso interesse é absolutamente necessário e o mais importante é não ter culpa e nem aceitar que nos julguem mal por isso.

MM

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