Educação

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Eu tenho certeza de que quando adolescente, era uma pessoa bem chata, que incomodava muita gente – não que isso tenha mudado, mas… Questionava o tempo todo e sempre queria saber o por que de tudo. Claro que era para aprender e tentar entender os motivos do mundo ser do jeito que é, mas isso não é muito bem visto pelos adultos.

Tudo, na cabeça dos adultos, têm uma razão de ser, mas na prática sabemos que muitas delas não têm não. Apenas alguém achou um motivo para fazer determinada coisa de uma maneira e foi seguido pelo resto. Quando alguém questiona, às vezes não sabem a resposta e outras tantas não querem dar a resposta. Coisas de adultos, eles têm o poder e o que mais ouvimos quando crianças ou adolescentes é uma explicação nada razoável: “Não faça isso porque não quero ou porque não pode”. Simples assim, sem argumento algum. Poder é bom, mas péssimo quando usado contra a gente.

Claro que não só os pais tem poder na formação das pessoas, os manda-chuvas das escolas também o tem. E se pararmos para pensar e lembrar, vamos ver que passávamos muito tempo dentro das instituições de ensino. Em média, 5 horas por dia, 270 dias por ano durante 14 anos. Mais uns cinco de faculdade e pronto, temos aí exatos 5.130 dias inteiros aprendendo coisas.

Algumas delas úteis, outras nem tanto. Mas todo esse tempo com algo em comum, um monte de regras para seguir, feitas sabe-se lá por quem e com a pretensão de formar pessoas e transformá-las em profissionais. Não falei em formar bons ou maus profissionais, apenas em formar profissionais. Se vão ser bons ou ruins, depende de cada um, pois tudo nessa vida é individual e não coletivo. Assim sendo, cada um escolhe seu caminho e aprende aquilo que é de seu interesse. Mas que não entendo por que é que todos têm que decorar a famosa tabela periódica nas aulas de química, não entendo mesmo. Para que serve aquilo tudo se vai ser escritor? Para nada. Para ser escritor basta saber ler e escrever.

O que eu nunca aceitei quando freqüentava a escola era por que temos que aprender tantas coisas que jamais usaríamos no resto de nossas vidas. Para que perder tanto tempo se a vida é uma contagem regressiva. Começamos a morrer no exato dia em que nascemos e tempo é precioso demais para se jogar fora. Por outro lado, como escolher algo definitivo se não temos uma visão geral e ampla sobre tudo? Como o interesse poderia ser despertado senão dessa maneira?

Bom, não sei a resposta exata, mas no meu modo de ver o mundo, acho que as coisas poderiam ser melhor direcionadas para que a instituição de ensino descobrisse em cada um de seus alunos a sua verdadeira vocação natural. Todos têm um talento inato e poucos, bem poucos mesmo, seguem sua vida de acordo com esse talento. 

A questão é, por que isso acontece? Por causa das regras dos tais manuais gerais do proprietário, talvez. A gente sempre acaba fazendo a mesma  pergunta na frente do espelho: Por que não sou feliz como gostaria? A resposta talvez seja porque não incentivam nossa essência e nós sucumbimos a isso. Saindo um pouco do lado formação cultural e profissional, onde é que nos ensinam a viver?

Onde nas famílias e nas escolas eles se preocupam em nos preparar para a principal coisa que teremos que enfrentar por todo o tempo de permanência aqui na Terra: Lidar com gente. Inclui-se aí nós mesmos, pois até onde eu sei, somos todos gente, mesmo que alguns pareçam bichos.

Não há nenhuma preocupação nesse sentido, tampouco existe uma matéria chamada autoconhecimento. Assim como não existe uma matéria chamada: Lidar com pessoas.

Já que isso não existia e nem existe – acho que nem vai – resolvi que deveria aprender na marra, por conta própria. Aí eu, com pouco conhecimento de causa, pouca idade e consequentemente pouca experiência, diversas vezes meti os pés pelas mãos…

MM

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Publicado em Ego. Tags: . 2 Comments »

2 Respostas to “Educação”

  1. Dalbergia Says:

    Desse jeito eu vou pular do galho mais alto do meu pé de coentro…
    Eu gostava tanto de lembrar dos meus dez anos de “educadora”. E para mostrar como esse mal se enraíza na gente, eu tô aqui toda linda concordando com esse escritor e me vem uma “brilhante” sugestão…
    Vou falar porque essa idéia não surgiu agora, não adianta tentar esconder…eu ia dizer: ô sr Marcelo, devia existir também uma matéria que ensinasse agente a lidar com o dinheiro…’poizé’…me esforço diariamente mas ainda continuo valorizando o “ter”.
    Mas pra vcs (escritor e leitores) não me empurrarem do meu galho…eu pelo menos garanto que dou valor ao ser, podem acreditar sem susto.
    Ops. Retira o sem susto porque se eu fosse assim, se valorizasse o meu próprio ser digitaria agora minha carta de demissão. Ai ai adoro um dinheiro na conta todo fim de mês. Bendita princesa Isabel que reformulou a escravidão.
    ***
    Tenho uma ex-prima que não concordava que eu dou valor ao ser…ela dizia que eu não tenho torneiras de ouro e eu respondia que tem muita gente que não tem água encanada…pra estes…ter uma torneira de plástico é um grande luxo.
    ***
    Ai ai…eu tava tão legal porque contornei uns problemas e não perdi o emprego…esse blá blá blá acabou com a minha graça…ai ai.
    ***
    ai ai.., mas ficar o tempo todo explicando porquê também é um saco! Minha filha é atrevidinha e quer saber PORQUÊ…
    Olhando daqui é lindinha ela…mas na hora…a atrevidinha padece na mão da generala…meus porquês não são objetivos, algumas vezes são intuitivos e outras ainda não existem mesmo…é porque sim…
    ai ai…
    reconhecer é um passo.
    e me aceitar (a mim mesma) assim mesmo é o outro…
    quem sabe qual será o próximo passo?
    hum…
    será…
    …mudança?
    E assim rola um processo auto educativo…
    ai ai
    Tchau escritor…vou parar de comentar. Mas já li todos, viu?

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  2. Dalbergia Says:

    Ai meu Deus…salva minha filha de mim…

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