Altos e Baixos

Montanha russa

Como vimos nessas insuportáveis e intermináveis explicações sobre Ego, Id e Superego, a função básica de nosso Ego é atender às exigências do Id dentro de uma censura imposta pelo Superego. Pois como disse anteriormente, vivemos uma vida a três e não é nada nem parecido com um “ménage”.

Eu percebi – mesmo sem saber o nome, a definição e a explicação correta – muito cedo que havia mais do que um Marcelo dentro da minha mente. Na verdade, acho que todos nós nos identificamos com o diabinho e o anjinho dos desenhos animados. É um tormento lidar com isso.

Acho que a primeira vez que isso aconteceu de modo digamos… mais consciente foi na adolescência, quando tinha que fazer uma certa escolha entre A ou B e acabei ouvindo meu Id. Não preciso dizer que a coisa foi um desastre.

Desde então, tento conciliar a eterna discussão dos dois, mas confesso que as melhores coisas que me acontecem são quando realizo os desejos do Id. Confesso ainda que as piores coisas também. Em suma, ouço pouco meu Superego. Só não se esqueçam que para mim, o Id é consciente, ao contrário do que prega a teoria.

Nem todo mundo age dessa maneira, vejo por aí pessoas fazendo justamente o contrário, aceitando muito mais a imposição do Superego. Claro, levar uma vida mais certinha, mais regrada é muito mais tranqüilo, porém sem qualquer tipo de emoção.

Já escrevi incontáveis vezes sobre o que penso de se levar uma vida morna e por conta dessa minha obsessão pela emoção, optei por não me censurar como a maioria faz. Eu quero altos e baixos e isso somente o Id é capaz de me dar, como se vivesse numa eterna Montanha Russa.

O preço a ser pago é um tanto quanto exorbitante, mas eu escolhi esse caminho e não pretendo mudar tão cedo, para não dizer nunca.

A verdade é que nem sempre posso fazer o que o Id recomenda, mas se pudesse, podem ter certeza de que o faria. O que estou dizendo aqui é que tento pender mais para o lado do desejo do que pelo lado da razão.

Tenho total consciência de que ter uma vida equilibrada entre o querer e o poder deve ser muito mais fácil do que pender para um dos lados, mas quem é que consegue esse equilíbrio constantemente?

E mais, como é que sabemos a hora de agir de acordo com a vontade ou permissão de uma das partes? Como saber o que vai ser melhor dali a um segundo? Pois é, esse momento é aquele instante que chamamos de escolha.

Optar por um caminho é provavelmente a coisa mais complicada dessa vida. O pior de tudo é que isso acontece a cada segundo. Não há um só momento de nossas vidas que passamos sem ter que escolher algo, vale até para escolha de pensamentos.

E o mais incrível é que não é tão simples quando escolher A ou B, pois o número de variáveis é interminável. É preciso escolher o que, como, quando, onde e por que. Isso tudo sendo bombardeado pelo Id e Superego que não te deixam em paz nem depois da escolha feita.

Sem falar que cada escolha que fazemos influencia não só a nós mesmos mas a diversas pessoas que estão em nossa volta. Lembrando que seja lá qual for o caminho escolhido ele exercerá influencias negativas e positivas em todos que estiverem envolvidos no processo.

Ora, como é que podemos exigir de nós alguma coisa perto da perfeição? Não se pode agradar a todos, não é? Portanto o que devemos fazer é nos agradar em primeiro lugar e bancar essa escolha porque chumbo grosso virá do lado que sentir os efeitos negativos. Sem esquecer que nossos amigos Id e Superego vão também nos bombardear com a culpa pela escolha, seja ela qual for.

Nossa mente é assim, ela meio que joga contra. Se eu for prudente, sofro os ataques do Id, se eu for imprudente, sofro a censura do Superego. Como seria se pudéssemos agradar aos dois lados ao mesmo tempo?

Dependendo da “coisa”, até dá para atender aos dois lados, mas normalmente uma escolha não é assim tão branda, uma opção quase sempre exclui a outra e, óbvio, desagrada essa outra.

Escolhas, renúncias… enfim, nosso Ego-Sistema é feito disso, optar por atender um dos lados e depois agüentar o tranco do outro. Infelizmente a vida não é como dizem os livros de auto-ajuda que nos ensinam a negociar e que essa negociação é do tipo: Ganha ganha. Isso pode funcionar entre clientes e fornecedores, entre duas pessoas de um casal que esteja tentando se acertar, mas aqui dentro de nossas mentes não é assim tão fácil, se um lado ganha, o outro perde. E se as escolhas se mostrarem erradas no futuro, perdemos os três, o Id, o Ego e o Superego.

Difícil viver dessa maneira, difícil entender nosso sistema de funcionamento, pois não viemos ao mundo com um manual do proprietário como um automóvel ou geladeira. Ou melhor, até tentam nos impor viver de acordo com um manual, mas não com o nosso e sim de acordo com o manual de nossos donos…

Amanhã eu falo disso…

MM

Anúncios
Publicado em Ego. Tags: . 1 Comment »

Uma resposta to “Altos e Baixos”

  1. Calliandra Says:

    vixxx…muito doido td isso.

    Curtir


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: