Podemos “tudo”

Poder

Esse assunto do post anterior me deixa muito indignado. Não buscar os próprios interesses em nome sabe-se lá de que é mesmo um absurdo. Mas é claro que esbarra em cobranças, outro problema difícil de lidar.

Somos cobrados desde pequenos. E quando crescemos, aumentamos as cobranças porque passamos a nos cobrar também. Só queria entender por que é que, uma vez que somos indivíduos, não podemos individualizar a sociedade.

Mais ou menos como dizer uma frase que soa mal educada, mas que é muito verdadeira e poderia ser vista como algo bem sincero: Quem é que tem alguma coisa a ver com nossa vida?

A resposta para alguns que vivem em função dos outros é: Muita gente. Para outros “alguns” mais radicais é: Ninguém. A minha resposta para essa pergunta é: Quem eu permitir que tenha.

Exatamente isso. Quem tem alguma coisa a ver com minha vida é quem eu deixo. E quem são essas pessoas? Serão escolhidas de acordo com o que eu receber em troca. Esquece o dinheiro, falo de amor, carinho, amizade, alguma coisa resumida como interlocução. Alguém que nos ouça e que dê eco. O que não podemos é permitir cobranças de pessoas que não julgamos importantes.

O engraçado disso é que todo mundo que conhecemos se acha importante em nossas vidas a ponto de nos cobrar certas atitudes. Isso ocorre quando não colocamos limites, lembra que falei em outro texto? É preciso criar uma cerca e deixar claro que só poderão atravessá-la quem você deixar. Processo complicado quando se junta isso com o medo da não aceitação.

Em nome dessa bobagem, sucumbimos e permitimos muitas vezes que todo mundo dê palpites e nos cobre alguma coisa. Como é difícil conciliar o que somos, o que queremos ser, o que os outros pensam que somos e o que os outros querem que sejamos. Acho que vou enlouquecer. Cadê o Freud quando a gente mais precisa dele?

Pensando melhor, talvez não seja assim tão complicado conciliar isso. Basta pensar em cada coisa isoladamente, usando o critério de eliminação. O que querem que sejamos nem vou levar em consideração, afinal, ninguém tem o direito de escolher o nosso destino. O que pensam que somos também é problema de cada um, pois cada um enxerga o que quer e como quer, assim sendo, o que pensam de nós pode ou não ser a verdade. Não levaremos em conta.

O que é importante é o que somos e o que queremos ser. Daí sai as maiores e terríveis cobranças que existem, a que fazemos a nós mesmos.

O que somos? Pergunta complicada. O que queremos ser? Pergunta tão ou mais complicada. Bem, o que somos parece fácil de ver, mas não é. Melhor mudar, ou melhor ainda, juntar as duas perguntas numa só: Somos quem queremos ser? Nossa, agora foi uma estocada no fígado.

Quase sempre chegaremos à conclusão de que sim, somos quem queremos ser, mas já adianto que é mentira, uma enganação. Se fosse verdade, não estaríamos preocupados em justificar para nós mesmos todos os dias o que fazemos e o que fizemos com nossas próprias vidas.

Por que nos cobramos tanto se somos exatamente o que queríamos ser? Se você se cobra é porque de alguma forma tem que justificar suas atitudes, provar para você mesmo que chegou onde está porque quis isso. Não digo que quis, mas que permitiu. Há muita diferença.

Ao abandonarmos nossos sonhos, nossa vocação natural ou nossa essência, dê o nome que quiser, devemos ou deveríamos saber que as cobranças virão de forma devastadora em algum momento da vida. Pode estar passando por isso agora, pode já ter passado ou pode ainda não ter vivido isso, mas só ainda, porque vai viver.

Felizmente não é algo irremediável. Quando alguém cobra uma dívida fazemos o que? Pagamos. Pode ser em suaves prestações ou à vista, mas não teremos desconto. A dívida é grande, mas “pagável”.

Saiba, é necessário pagar e também possível de ser feito. Não venha com desculpinhas de que é tarde demais porque não cola. Mesmo que já tenha passado da idade para iniciar ou retomar algum projeto, tenha na cabeça de que a felicidade está na busca e não na conquista. Se pensar dessa maneira, vai perceber que iniciar algo é que vai te manter em estado de felicidade.

Não devemos nos preocupar com a conclusão. Não devemos nos cobrar pelo tempo perdido, apenas começar. Até porque podemos descobrir durante o processo que “não era bem o que queria” e mudar os sonhos ou o foco não é proibido por lei alguma. Não crie regras que não existem, não crie crenças. Você, eu, enfim, todos nós, podemos tudo. É simples assim.

E essa é a única verdade absoluta que existe: Podemos tudo! E não estou dizendo isso porque tem uma força interior ou qualquer outra bobagem dos manuais de auto-ajuda. Não é isso. Digo que podemos tudo porque somos os únicos que temos esse direito, ainda mais e tão somente, relacionado à nossa vida.

Continuo a falar disso semana qu vem…

MM

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O tempo voa…

Tempo voa

Agora que já falamos de interesses que as pessoas têm, mas não revelam, vamos falar de interesses que as pessoas têm, revelam, mas não seguem. Parece louco? Sei disso. É louco mesmo, afinal, uma vez escutei uma psicóloga dizer que todos nós somos, de uma certa forma, loucos. Alguns mais, outros menos, mas a loucura está presente em todos. Além disso, uma outra me disse que “todos nós temos algo incurável em nossas mentes”. Bonito isso, mas dói quando falam isso diretamente para você.

Como falei outro dia, todo ser humano tem um talento. Isso é óbvio demais, e por mais depressiva que seja a pessoa, por mais que ela esteja se achando um “nada”, ela também tem um talento. Algum interesse na vida todos tem. Essa palavra dá mesmo margem para diversos pensamentos e significados. Uma mistura complicada. Há o interesse natural, tipo alguma coisa despertar o interesse e há o interesse no sentido de se fazer alguma coisa em troca de algo.

É aí justamente que as coisas se complicam. Digamos que você tenha um interesse natural por coisas da saúde. Sabe aquela gente que já nasce médico? Pois é, digamos que seja assim. A vida, ou melhor, seus outros interesses te levaram a estudar, por exemplo, economia. Você fez vestibular para medicina, mas não entrou e como segunda opção, colocou economia no formulário. Algo nada parecido com sua vocação, porém, para prestar contas à família, você tinha que entrar em alguma faculdade. Fez economia até o fim e hoje é um excelente executivo de uma empresa na área de finanças. Qual o resultado disso tudo?

Você não é quem gostaria de ser. Seu interesse em atender os anseios de seus pais ou o seu interesse financeiro o levou a cursar alguma coisa apenas pelo fato de “não ficar parado”, para usar um termo que pós adolescentes adoram. O tempo foi passando, você se formou, arrumou um bom emprego, ganha bem e se acomodou. Perdeu o interesse pela área da saúde? Não, claro que não. Deve ter se tornado um hipocondríaco daqueles… Um chato que pensa que é médico e que tem a solução para todos os males de seus amigos e familiares. Um leitor inveterado de bulas.

Tirando a brincadeira, nem deve mais pensar em estudar medicina, pois o processo é tão natural na sua cabeça que receber uma boa remuneração mensal elimina todas as frustrações. Isso só na sua cabeça.

Quer ver como tudo isso é uma loucura? Bom, vamos lá. Você se tornou isso aí justamente por causa de seus interesses. Antes era interessado em uma coisa e com o passar do tempo seus interesses o levaram a se interessar em se vender e “trocar” de interesses. Odeio meus textos, eu brinco com as palavras e me confundo todo.

Tentando explicar: Você, que antes tinha um interesse, abriu mão dele por causa do interesse de seus pais em que você fizesse uma faculdade. Você, por algum motivo caiu nessa armadilha. Fez a escolha errada abrindo mão de seus verdadeiros e íntimos interesses. Durante o processo, não pensou no futuro e essa sua nova carreira, como acabou sendo bem sucedida, serviu de alívio. Diminuiu a culpa que poderia sentir por não ter escolhido e optado pelos verdadeiros interesses. E nem estou tocando no assunto grana, mas posso falar se preferir: Quando viu que sua nova profissão poderia lhe trazer alguma compensação financeira, aí deixou de lado mesmo sua vocação natural.

Em nome de que? Um carro legal, boas roupas e bons restaurantes? Não que isso seja ruim, mas não parece que se vendeu por muito pouco? E quem é que disse que como médico não poderia ter conseguido tudo isso também? Nunca vai saber, não é mesmo? O que passa na sua cabeça é: Como consegui tudo isso, não me arrependo.

O que é necessário e até mesmo vital a ser buscado é o auto-conhecimento, coisa que não vemos muito. Uma vez, radicalmente falando, cheguei mesmo a pensar que as pessoas não querem se conhecer porque são desinteressantes. É triste constatar uma coisa dessas, mas é a verdade. Não que as pessoas sejam desinteressantes, mas talvez não tentem se descobrir por acharem em algum momento que possam ser pessoas comuns.

Ninguém quer ser comum e todos, absolutamente todos têm problemas com a auto-estima. Por mais feliz que a pessoa seja ou possa parecer, sempre existe uma pontinha de desconfiança em relação a isso.

Uma necessidade de ser aceito que transcende qualquer limite aceitável de conduta. Raramente fazemos coisas por nós mesmos, quase sempre é para termos algum tipo de aprovação dos outros.

O tempo passa depressa e num determinado momento da vida, veremos que deixamos de lado o que realmente nos interessa em troca desse reconhecimento. É realmente um absurdo que façamos isso com nossas próprias vidas. Isso destrói o Ego e não o satisfaz como pode parecer num primeiro momento quando somos aceitos pelos outros. Um absurdo não percebermos isso a tempo de poder fazer algo que realmente importe para nós, antes de mais nada.

MM

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Interesses

Ajuda

Alguém aí conhece uma só pessoa na terra que faça algo sem nenhum tipo de interesse? Eu não conheço e se você falar que conhece, já adianto que não vou acreditar. Isso não existe. O que, aliás, pode ser visto com uma coisa ruim, mas está longe disso. O interesse é uma das engrenagens que faz o mundo andar. Viu só como são as pessoas? Num primeiro momento você já achou que vinha algo pesado, no segundo momento já deu uma paradinha para pensar e percebeu que sem interesse, o mundo não seria o mundo como o conhecemos. Mas é claro que não vou deixar de falar verdades sobre interesses e interesseiros.

Darei também uma visão mais otimista sobre interesse, porque sem ele, teríamos parado no tempo das cavernas.

Espero que não seja hipócrita em achar que os benevolentes ajudam o próximo pelo simples fato de serem bonzinhos. Sei que existe gente boa no mundo, mas sempre há algum tipo de interesse por trás. Ou é pelo reconhecimento público ou dos amigos – o que inflaria o próprio Ego – ou é para aliviar a culpa de ter mais dinheiro do que os outros.

Portanto, ninguém nesse mundo é bonzinho o suficiente para fazer alguma coisa sem que haja algum interesse embutido na boa ação. E o que há de errado com isso? Absolutamente nada. As pessoas é que seguem a regra que diz que admitir isso é errado. Eu acho que admitir é normal. Até porque, você pode ajudar alguém de forma escondida e só você e o “ajudado” saberem, mas de uma certa forma, você teve um interesse: Em ficar bem consigo mesmo. Viu? Normal demais.

Na maioria das vezes o interesse se traduz e o julgamento aparece por causa do dinheiro. Para ser bem prático e objetivo, podemos tomar como exemplo algumas formas de interesse que vão ilustrar bem o que estou querendo dizer.

Digamos que temos uma menina, na casa dos 26 anos e que esteja entrando na fase da síndrome da solteirona e por conta disso esteja planejando se casar. Ela é bem nascida e foi criada, como posso dizer, com leite tipo A. Sabe como? Exato, uma patricinha. Claro que o círculo de amigos dela é do mesmo nível, então, natural que ela encontre um marido desse meio. Por mais que ela seja uma pessoa do tipo, “dinheiro não importa e sim o amor”, ela jamais se “apaixonaria” pelo porteiro do clube e sim por um dos sócios. Isso quer dizer que ela se casaria por dinheiro? Não, claro que não. Quer dizer, não só pelo dinheiro, mas também por ele.

Alguém mais “psicologicamente correto” – adoro inventar termos – pode falar que é porque ela não conhece o porteiro do clube e só por isso não se interessou por ele… Bom, aí entra uma outra questão que pode parecer bem mais preconceituosa, mas não é, só parece. Ela passa todos os dias pela portaria do clube e por isso, tem contato com o porteiro. Então porque é que ela nunca o olhou com outros olhos? Porque ela é sócia e ele o porteiro. Nada que chegue perto de uma discriminação, não é isso. Apenas que no mundo real, sócios falam bom dia e boa noite a porteiros de clubes e não os convidam para sentar à mesa. O inverso é exatamente igual. Um porteiro vai embora de ônibus e não de carona com o dono da Mercedes.

Por essas e outras, chegamos à conclusão de que a chance de uma patricinha se casar com um porteiro de clube são bem perto de zero. E ela se casar com o dono da Mercedes também não a transforma em uma interesseira. Mas estamos falando de alguém que também está longe de ser burra. Entre ir de ônibus Mercedes e um automóvel de luxo dessa marca, todo mundo, sem exceção, optaria pela segunda. A gente pensa nisso todos os dias, mas em sociedade, poucos admitem tais pensamentos. Entre escolher o amor da sua vida pobre ou rico, sempre deve se optar em “amar” quem tem mais dinheiro, afinal, todos os seres humanos preferem manter ou melhorar seu padrão de vida a diminuí-lo. Isso faz da pessoa buscar algo de seu interesse, porém repito, não transforma ninguém em interesseiro.

O que estou afirmando é que o interesse está presente na vida de todos o tempo todo. Claro que há os interesseiros inescrupulosos, mas o que escrevo aqui é para pessoas normais e não para essa gente. Ter interesse, ou melhor, buscar coisas do nosso interesse é absolutamente necessário e o mais importante é não ter culpa e nem aceitar que nos julguem mal por isso.

MM

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Pensando em tudo

Cabos

Se estivéssemos sempre certos ao pensar em tudo e tudo fosse realmente tudo, o que aconteceria com todas as coisas que fazemos? Nada daria errado. Oras, seriamos uns chatos. Bastava dar um manual para cada um e pronto, nada de improvisação, nada de percalços. O mais gostoso da vida é justamente a capacidade de criação. E quando falo criação, falo em criar atalhos ou mesmo desvios quando algo não sai correto logo de cara.

Isso é uma maravilha. Saber que programamos uma coisa, projetamos seu resultado e ter a certeza de que caminhos alternativos serão necessários, é absolutamente fascinante. Sei que para os mais conservadores uma afirmação dessas soa como insanidade, afinal, quem normal quer ser obrigado a se desviar de um plano? Eu digo, todos nós. Até porque estamos longe de sermos normais.

Parece assustador, eu sei. Mas veja uma coisa. Quando é que testa sua capacidade, seu limite? Não é quando tem que improvisar? Ou acha mesmo que o “legal” da vida é seguir o que está escrito nos manuais e fazer tudo certinho logo de primeira? Sei que não acha isso legal, tenho certeza disso.

Duvido que compre um celular novo e leia antes o manual. Duvido. Se você faz isso, é na verdade um chato. Recomendo a crônica Prudente, a primeira do meu livro Descomporte-se. Acredite, se você gosta de tudo certinho de primeira é um tremendo chato. Mas sei que não é.

O gostoso é tentar programar a memória do seu celular sem saber como se faz isso no aparelho novo, é ligar todos os fios errados do seu aparelho de DVD e ver que nenhuma imagem aparece na tela… Calma, sem exageros, Marcelo Mello. Tudo bem, não é tão gostoso assim, mas é muito mais legal do que ligar as coisas e tudo funcionar.

Acredite, se isso parece loucura, pense em quando se sente vivo: Numa ligação de aparelhos morna e certinha ou naquelas que lhe dão choque, em muitos casos, literalmente? Sei que vai falar que é a morna, ou seja, mentir. Assim como sei que prefere se sentir vivo ao ter sua capacidade de improvisação desafiada. Não minta para mim. Somos todos loucos.

Uma das maiores maravilhas desse mundo é poder usar nossa inteligência e não a inteligência que vem pronta através dos manuais de aparelhos eletrônicos. Usar nossa capacidade de improvisar. Sabe quando se perde numa cidade em que nunca esteve? Vai me dizer que não é uma delicia? Desde que você não vá parar num morro do Rio de Janeiro, claro.

O que quero que entenda é que você tem que se sentir vivo e não apenas estar vivo. Percebe a diferença? E nós somente nos sentimos vivos quando temos nossas capacidades colocadas em prática.

Pensar em tudo me atrapalhava muito a vida. Deixava poucos espaços, poucas brechas para o improviso. Isso fazia com que as coisas que fazia perdessem seu interesse tão logo começassem. Parece mesmo uma loucura, mas confesso que melhorei muito quando deixei de me preocupar com coisas antes delas surgirem de fato.

Sem falar que quando tentamos antecipar os problemas, ficamos em dúvida sobre a possibilidade de realização de qualquer projeto. É como se nossa mente jogasse contra nós, pensando apenas em coisas negativas que nem sempre aparecem. Antecipar problemas é o mesmo que boicotar, a diferença é que em casos de projetos pessoais, o boicote é contra nós mesmos. Aí não há Cristo que vá fazer você realizar nada.

Temos que nos preparar sim para os percalços, mas não deixar essa preparação tomar conta do todo, ela tem que servir apenas como um sinal de alerta. Mais ou menos um alerta avisando que teremos que improvisar… que nada mais é senão a parte mais gostosa de qualquer projeto, seja ele pessoal ou profissional.

MM

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Absolutista

Coroa Absolutista

Certa vez, fui definido por uma terapeuta como um ser absolutista. Achei tão linda a palavra que fiquei me sentindo o todo poderoso, queria até colocar no meu cartão de visitas: Marcelo Mello, escritor e absolutista. Achei o título muito chique… mas…

Depois, com as explicações, fui percebendo que isso poderia não ser tão bom assim. Seres absolutistas pensam em tudo. Na maioria das vezes, pensam em tudo antes. Bom, não preciso dizer que sendo dessa maneira, jamais acreditei que estivesse fazendo uma escolha errada, seja ela qual tenha sido, em qualquer “parte” da vida. Como na prática a teoria é outra, pensar antes em tudo, pode até parecer que você antecipa os problemas, mas na verdade, você os cria, mesmo que eles jamais venham a existir. Traduzindo, perdemos tempo e energia com coisas que não existem e que talvez nem sequer venham a existir. 

Complicado isso dentro de nossa mente. Acreditar que se está pensando em tudo e de maneira correta, leva a você fazer as escolhas que tem certeza serem as melhores e como pensou em “tudo”, não dá nem uma brecha para que a dúvida, saudável muitas vezes, apareça. Ser absolutista não quer dizer que não vá errar. Ao contrário, quando erra, a frustração vem com uma força tão incrível que é bem complicado lidar com ela. Somos traídos pela mente, pois ser assim e pensar em tudo antecipadamente não quer dizer absolutamente nada. Com perdão do trocadilho.

Em resumo, odiei saber que sou assim e que por isso é que muitas das minhas escolhas foram erradas. Por outro lado, acertei outras tantas vezes e fique bem orgulhoso. O que isso significa? Que a cabeça da gente é mesmo esse turbilhão de dúvidas, escolhas, erros e acertos e, infelizmente, só descobrimos depois da atitude tomada. Pensar antecipadamente pode ajudar ao mesmo tempo em que atrapalha.

Bem, tenho que confessar mais uma coisa. Um ser absolutista dificilmente se surpreende. Apesar de que acontecem frustrações, elas se dão muito mais por serem constatações do que uma novidade que o pega de sopetão. Por outro lado, é horrível a gente saber qual presente vai ganhar, qual é o assassino misterioso do filme, etc, etc, etc. Parece que as coisas perdem a graça. Isso é ótimo quando prevemos uma coisa ruim, mas péssimo quando vemos um filme como o Sexto Sentido, por exemplo. Eu estraguei meu filme quando descobri antes da hora que o Bruce Willis estava morto. E sabem o pior? Não descobri porque sou um gênio, descobri porque, como penso, reparo e observo tudo, percebi que ele aparecia sempre com a mesma roupa. Falei: Ele está morto. Pronto, the end. Acabou a graça. Exemplo besta, eu sei, mas que ilustra como é ter uma vida sem surpresas. Bem triste.

No que diz respeito à pessoas, sendo desse jeito tentamos sempre imaginar a situação da outra pessoa em determinado projeto ou crise, sob a sua própria ótica. Como normalmente os absolutistas conhecem profundamente as pessoas com quem lida, fica fácil fazer essa transposição e se colocar no lugar do outro. Aí é mais fácil ainda prever os resultados. Em outras palavras, detectamos como uma pessoa age e vai agir. As pessoas não surpreendem mais. Mais triste ainda.

Mesmo assim, nos achando os todo-poderosos, somos grandes medrosos. Vou explicar por que. Na verdade, nós absolutistas temos tanto medo de nos ferir que tentamos desesperadamente pensar em tudo antes, assim, achamos, diminuímos o risco. Eu discuto com terapeutas. Acredito que todo mundo é absolutista. Duvido que exista uma só pessoa que não tente pensar em tudo antecipadamente quando está entrando em algum projeto. Claro que com as limitações que temos, meu “tudo” pode ser menos que seu “tudo”, se é que me entende.

Mas como estamos falando do Ego-Sistema, cada um de nós acredita que ao pensar em tudo, pensou realmente em tudo. Todos estamos errados. Até porque, pensar em tudo antes significa não aceitar uma das coisas mais interessantes que temos: Nossa capacidade de improvisar.

Claro que amanhã eu continuo a falar disso…

MM

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Regras

Homem Sol

As regras gerais da sociedade, bem como as da felicidade são voltadas para o consumo e ponto final. Não, não pense que sou anticapitalista, nada disso, apenas acho que os pais, as escolas e toda a sociedade impõem sobre as pessoas que todos devem ser alguém na vida. Bom, todos são alguém na vida. Mas as imposições não recaem sobre ser alguém na sua essência e sim em ser alguém para ser visto pelos outros. Algo como ser alguém que tem coisas e não alguém que faz coisas. Se tiver muitas coisas, reza a lenda, você conseguirá alguém para dividir sua vida e será feliz.

Quando um pai diz: Filho, você tem que estudar para ser alguém na vida, o que ele está querendo dizer é: Filho, você tem que estudar para poder ter coisas nessa vida. A preocupação raramente é no sentido de que o filho escolha sua profissão livremente, independente do dinheiro que ela irá proporcionar. A preocupação é justamente em quanto o filho vai ganhar e se preocupando somente com isso, estão na verdade podendo deixar de lado o talento de cada um. Poucos fazem o que gostariam e trocam isso pelo conforto que o dinheiro proporciona. Ou seja, se deixam levar pelo ensinamento dos pais de que o que importa nessa vida é o quanto se ganha e não em fazer o que se gosta ou sonha.

É o lugar comum. Todos os pais fazem isso. As escolas e seus professores também, afinal, quem paga a escola são os alunos, ou melhor, os pais dos alunos. É justo que façam o que os pais querem que façam. O problema de seguir isso é que quando os filhos estiverem na casa dos quarenta, poucos pais estarão vivos e por conseqüência, não se importarão mais se os filhos estão bem de cabeça. O que importa para um pai é deixar algo para os filhos ou que estes estejam bem financeiramente. Repare quando vê duas pessoas de idade conversando quando se encontram depois de muito tempo:

– Nossa, há quanto tempo…

– Pois é, e como vai a vida?

– Estou aposentado e morando na praia.

– Eu também me aposentei.

– E seus filhos, estão bem?

– Estão sim, todos muito bem de vida.

– Os meus também todos formados e ganhando muito dinheiro.

Viu alguém perguntar se os filhos estão felizes? Se fazem o que gostam? Se vivem de acordo com o talento inato que tem? Não, pois a preocupação não é com a felicidade em si, e sim com a “felicidade financeira”.

Pode falar que é um tema polêmico e que a minha abordagem sobre isso é fria e calculista, mas falo uma coisa: É a verdade. E sei que você agora vai dar uma olhadinha para os lados, para ver se tem alguém te observando e vai acenar com a cabeça em concordância com isso que acabou de ler. Mas o mais triste é: Dependendo da sua idade, ou você fez isso com os filhos ou está “sendo feito” por seus pais.

O que eu sei é que a preocupação das pessoas é sempre voltada para o que se tem e não para o que se é. Sinceramente eu não entendo esse conceito, mas o fato é que a vida é assim e pronto. Mudar isso não é tarefa simples, muito pelo contrário, é preciso coragem e determinação.

Seres humanos são estúpidos, julgam as pessoas pela aparência e não pela essência. E ainda falam que somos seres dotados de inteligência. Só se for inteligência burra. Existe isso? Se não existe, acabo de inventar.

MM

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Educação

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Eu tenho certeza de que quando adolescente, era uma pessoa bem chata, que incomodava muita gente – não que isso tenha mudado, mas… Questionava o tempo todo e sempre queria saber o por que de tudo. Claro que era para aprender e tentar entender os motivos do mundo ser do jeito que é, mas isso não é muito bem visto pelos adultos.

Tudo, na cabeça dos adultos, têm uma razão de ser, mas na prática sabemos que muitas delas não têm não. Apenas alguém achou um motivo para fazer determinada coisa de uma maneira e foi seguido pelo resto. Quando alguém questiona, às vezes não sabem a resposta e outras tantas não querem dar a resposta. Coisas de adultos, eles têm o poder e o que mais ouvimos quando crianças ou adolescentes é uma explicação nada razoável: “Não faça isso porque não quero ou porque não pode”. Simples assim, sem argumento algum. Poder é bom, mas péssimo quando usado contra a gente.

Claro que não só os pais tem poder na formação das pessoas, os manda-chuvas das escolas também o tem. E se pararmos para pensar e lembrar, vamos ver que passávamos muito tempo dentro das instituições de ensino. Em média, 5 horas por dia, 270 dias por ano durante 14 anos. Mais uns cinco de faculdade e pronto, temos aí exatos 5.130 dias inteiros aprendendo coisas.

Algumas delas úteis, outras nem tanto. Mas todo esse tempo com algo em comum, um monte de regras para seguir, feitas sabe-se lá por quem e com a pretensão de formar pessoas e transformá-las em profissionais. Não falei em formar bons ou maus profissionais, apenas em formar profissionais. Se vão ser bons ou ruins, depende de cada um, pois tudo nessa vida é individual e não coletivo. Assim sendo, cada um escolhe seu caminho e aprende aquilo que é de seu interesse. Mas que não entendo por que é que todos têm que decorar a famosa tabela periódica nas aulas de química, não entendo mesmo. Para que serve aquilo tudo se vai ser escritor? Para nada. Para ser escritor basta saber ler e escrever.

O que eu nunca aceitei quando freqüentava a escola era por que temos que aprender tantas coisas que jamais usaríamos no resto de nossas vidas. Para que perder tanto tempo se a vida é uma contagem regressiva. Começamos a morrer no exato dia em que nascemos e tempo é precioso demais para se jogar fora. Por outro lado, como escolher algo definitivo se não temos uma visão geral e ampla sobre tudo? Como o interesse poderia ser despertado senão dessa maneira?

Bom, não sei a resposta exata, mas no meu modo de ver o mundo, acho que as coisas poderiam ser melhor direcionadas para que a instituição de ensino descobrisse em cada um de seus alunos a sua verdadeira vocação natural. Todos têm um talento inato e poucos, bem poucos mesmo, seguem sua vida de acordo com esse talento. 

A questão é, por que isso acontece? Por causa das regras dos tais manuais gerais do proprietário, talvez. A gente sempre acaba fazendo a mesma  pergunta na frente do espelho: Por que não sou feliz como gostaria? A resposta talvez seja porque não incentivam nossa essência e nós sucumbimos a isso. Saindo um pouco do lado formação cultural e profissional, onde é que nos ensinam a viver?

Onde nas famílias e nas escolas eles se preocupam em nos preparar para a principal coisa que teremos que enfrentar por todo o tempo de permanência aqui na Terra: Lidar com gente. Inclui-se aí nós mesmos, pois até onde eu sei, somos todos gente, mesmo que alguns pareçam bichos.

Não há nenhuma preocupação nesse sentido, tampouco existe uma matéria chamada autoconhecimento. Assim como não existe uma matéria chamada: Lidar com pessoas.

Já que isso não existia e nem existe – acho que nem vai – resolvi que deveria aprender na marra, por conta própria. Aí eu, com pouco conhecimento de causa, pouca idade e consequentemente pouca experiência, diversas vezes meti os pés pelas mãos…

MM

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